domingo, 9 de maio de 2010

Castanheira - História e Monumentos a visitar

Das origens da localidade de Castanheira e Alqueidão, ambas pertencentes a Cós, pouco se sabe. Este desconhecimento fica a dever-se à destruição provocada pelas invasões francesas aquando da sua passagem pelos Coutos de Alcobaça, a que estas localidades pertenciam.

Sabe-se no entanto, que no lugar de Alqueidão existiram as Igrejas de S. Miguel e Nossa Senhora da Conceição, hoje transformadas respectivamente em arrecadação agrícola e habitação particular.

 

Capela de Santa Marta


A uma pequena distância de Cós, fica actualmente a povoação de Castanheira de Cós. É ali que se pode encontrar esta Capela, tipo Igreja-salão maneirista, que ostenta uma pequena torre sineira e é encimada por uma cruz.


É a Capela de Santa Marta situada no centro do lugar da Castanheira, que se encontra a construída em pedraria com uma tribuna de grande elevação, onde estão colocadas as imagens de Nª. Senhora da Luz e de Santa Marta. Presume-se ter sido construída no século. XVIII.


O altar principal é de talha dourada barroca. Encontram-se pináculos nas suas laterais.


Fonte Santa


Nesta zona com terras calcárias, muitas são as nascentes e fontes de água fresca e pura.

Muitas são as lendas associadas às águas santas que curavam doenças e brotavam de fontes milagrosas. É o caso da Fonte Santa situada num vale coberto de densa vegetação, um local muito agradável e encantador na Castanheira, uma povoação próxima de Cós.



Santuário de Nossa Senhora da Luz


A dois quilómetros de Cós existe uma igreja cuja história está ligada à lenda da Fonte Santa, assim designada devido às propriedades milagrosas atribuídas às suas águas e onde, segundo a lenda, apareceu Nossa Senhora da Luz, pela primeira vez, a uma velhinha de nome Catarina Annes, no ano 1601.

Está relacionada a uma das lendas mais curiosas do concelho de Alcobaça, a lenda de Nossa Senhora da Luz. Nela está gravada a seguinte inscrição: "Aqui apareceu Nossa Senhora da Luz no ano de 1601”.


O Santuário foi mandado construir por D. Damião Borges, fidalgo ilustre do concelho e de Sua Majestade, como homenagem e reconhecimento pelos benefícios recebidos, em honra de Nossa Senhora da Luz.

Na capela-mor encontram-se as sepulturas de Catarina Annes e Damião Borges.


Lenda de Nossa Senhora da Luz


Conta esta lenda que, andando por aqueles montes uma velhinha chamada Catarina Annes a apanhar lenha, lhe apareceu no lugar denominado Vale de Deus, entre o Juncal e a Castanheira, uma nobre e formosa senhora, que se ofereceu para ajudar a apanhar a lenha. Mas o aspecto da senhora era tal que impressionou a velhinha que lhe agradeceu, mas não quis aceitar para que não se sujassem aquelas mãos mimosas.

Porém a velhinha não esqueceu a misteriosa senhora que algum tempo depois lhe voltou a aparecer, mas na companhia de uma outra senhora (que diz a lenda ser Santa Marta que até hoje se venera no lugar da Castanheira).

A Senhora disse meigamente à velhinha "Segue-me Catarina". Porém a velhinha não atendeu às palavras ou porque ficasse surpreendida com estas aparições, ou porque estava embebida em místicas cogitações, tão próprias num sítio que desafia a piedade e a devoção.

Porém uma terceira vez lhe apareceu a mesma senhora formosa, numa altura em que a pobre e virtuosa velhinha, devia de andar terrivelmente preocupada pois perdera no mato a chave da sua casa. A senhora disse-lhe: "Catarina vem cá que eu te darei a tua chave que perdeste". A boa velhinha assim que ouviu falar na chave ficou profundamente admirada, pois não tinha contado a ninguém que tinha perdido a chave, e mais admirada ficou pelo facto de a chave ter sido encontrada e terá respondido: "eu perdi a chave no mato, não é possível que a possam ter achado para ma dar". Porém ao recebê-la o seu coração dilatou-se de tal modo que se encheu de uma consolação inexplicável. De tanta luz se iluminou a sua alma que reconheceu que estava na presença de um ser divino "Nossa Senhora - a Rainha do Céu e da Terra".

Era tal a sua alegria que não foi capaz de agradecer e seguiu a senhora até um determinado local do vale. Aí a Senhora pediu-lhe que ali abrisse um buraco e ela com as suas mãos cavou um pequeno buraco, de onde começou a jorrar água pura. A Senhora disse-lhe então: "Vai e diz aos moradores da tua terra, que nesta fonte encontrarão remédio para todos os males". Catarina correu a contar aos vizinhos e depressa a fama daquela fonte se espalhou.

Ao terem conhecimento do milagre e do aparecimento da Senhora a Catarina Annes e da fonte que lhes deixara para curar as enfermidades, começaram a afluir ao local da fonte os descrentes e desanimados da medicina da terra, que assim procuravam vencer a dor com a água abençoada pela "Consoladora dos Aflitos".

Outros cheios de fé e amor contentavam-se de ver e beijar o sítio por onde a virgem teria passado. O lugar começou a ser frequentado com muita devoção e a fonte foi arranjada convenientemente e numa pedra foi gravado a seguinte frase: "Aqui apareceu Nossa Senhora da Luz em Ano de 1601".

Fonte: http://alcobaca.no.sapo.pt/

Trabalho elaborado por: Patrícia Santos Serrazina, nº20, 7º F.

Cós - Monumentos e locais a visitar

Convento de Santa Maria de Cós


O Convento de Santa Maria de Cós foi fundado em 20 de Abril de 1279 pelo Abade de Alcobaça D. Fernando, cumprindo disposição testamentária de D. Sancho II. O lugar escolhido foi aquele onde algumas viúvas lavaram as vestes dos monges cistercienses da grande Abadia de Alcobaça.

Veio a sofrer alterações no século XVI, quando o edifício se transformou em casa conventual das freiras da Ordem de Cister, sendo então abadessa D. Branca de Aguilar, que aí jaz.


O convento foi reconstituído nos fins do século XVII e nada mais resta hoje do que a igreja, sacristia com os seus anexos e alguns vestígios arruinados de uma parte do dormitório e do celeiro. A decoração dos tectos da igreja e da sacristia constitui um caso único entre as abadias cistercienses de Portugal e Espanha. A decoração das cinco filas dos caixões da abóbada, integra-se no movimento da pintura sacra, em voga no século XVIII.

A igreja encontra-se dividida a meio por uma grade de clausura em talha dourada. O altar-mor é de bela talha dourada, dos finais do século XVII.


As paredes têm azulejos azuis e brancos, feitos no Juncal, do último quartel do século XVII. No que diz respeito ao Coro, as suas paredes apresentam-se totalmente forradas de azulejos do séc. XVIII, rodeando um esplêndido cadeiral.

Na parede do fundo do Coro, encontra-se uma porta de estilo manuelino, composta por duas esferas armilares, armas régias e a Cruz de Cristo.


Na sacristia, forrada de azulejos azul e branco, historia-se em dez painéis, cenas da vida de Bernardo de Claraval. Exteriormente, assinalam-se as estátuas de S. Bento e S. Bernardo, encimadas por pilastras, a poente.

Fonte: "Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça", Maria Zulmira Albuquerque Furtado Marques, Alcobaça, 1994.


Trabalho elaborado por: Sara Félix, nº 24, 7º F.



Igreja da Misericórdia ou Igreja de Santa Eufémia

A Igreja da Misericórdia também conhecida de Igreja de Santa Eufémia, em virtude de ter recebido a imagem da demolida igreja matriz, é documentada desde cedo, em 1275.

É um modesto edifício, desprovido de valor artístico. Só tem interesse uma custódia de cobre dourado, o Brasão dos Abades de Alcobaça gravado numa das capelas da nave e o túmulo de um dos Reitores da Universidade de Coimbra, que desempenhou papel preponderante na Inquisição.

Esta Igreja é hoje chamada de Santa Eufémea, em virtude de ser esta a padroeira da freguesia. A mártir, Santa Eufémia, invocação da Santa originária da Calcedónia (Trácia, Ásia Menor), que se apresenta com um lagarto ou réptil colado às vestes.

No entanto, segundo a opinião de um estudioso, a deusa dos gregos, Íris, antropónimo feminino que se traduz “por boa fala”, com o advento do Cristianismo, foi elevada aos altares e personificada em Santa Eufémea.
 
Esta deusa pagã estava conotada com o arco-íris e era considerada mensageira pelos Fenícios e Gregos, cuja missão era transmitir aos mortais os bons augúrios. Pensa-se que quando os fenícios aportaram nestas paragens devem ter trazido essa imagem.

Fonte: http://www.jfcoz.com/

Trabalho elaborado por: Patrícia Santos Serrazina, nº20, 7º F.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Cós - sua História


Cós foi uma das vilas dos Coutos de Alcobaça, é uma povoação muito antiga, cujo nome foi atribuído aos Fenícios.

Este povo, tal como os cartagineses, debandaram estas paragens e aí penetraram através da Lagoa da Pederneira, atingindo uma terra a que deram a designação de Cós, em homenagem a uma ilha do mesmo nome, situada no arquipélago das Sporades (Ásia Menor) cuja configuração era semelhante. Seja como for, o que se julga é que em meados do século VII a.C. os fenícios fundaram esta colónia, perto de Alcobaça, que então não existia.


Cós foi objecto de cobiça pela situação estratégica que ocupava na antiga Lagoa da Pederneira e pela riqueza dos seus campos.


Na Baixa Idade Média, em 1250, os Monges Cistercienses de Alcobaça, detentores de inovações agrícolas vindas de além Pirenéus, iniciaram um trabalho inteligente que promoveu o desenvolvimento destes campos e o seu repovoamento, tal como sucedeu com Aljubarrota e Alvorninha.


Recebeu foral de D. Manuel I em 1514 e teve um pelourinho, que infelizmente hoje já não existe. Junto à Igreja da Misericórdia houve uma cadeia, o que prova que tinha justiça própria.

Actualmente Cós é mais conhecida pelo famoso Convento das Monjas Bernardas que, apesar de bastante arruinado, contém uma igreja extremamente interessante e preservada.

Fonte: "Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça", Maria Zulmira Albuquerque Furtado Marques, Alcobaça, 1994.

Trabalho elaborado por: Sara Félix, nº 24, 7º F.

Póvoa - Monumentos a visitar

Capela de Nossa Senhora da Graça


No lugar da Póvoa existe a Capela de Nossa Senhora da Graça, cujo fundador e promotor foi Pêro Neto, ilustre filho da Póvoa, mercador da cidade de Ormuz e pessoa de grandes recursos adquiridos pelas funções de estado que prestou na Índia.

Vendo-se doente e temendo falecer da doença que sofria, fez um testamento beneficiando a sua terra natal à qual legou a sua fortuna pessoal através da Misericórdia de Lisboa onde se encontram arquivados os documentos deste acto.

Esta Capela, pelo facto de possuir avultados rendimentos que vieram à sua posse por testamento, financiou durante muito tempo o Mosteiro de Santa Maria de Cós e as suas Monjas de Cister, em virtude de estarem naquela época em extrema pobreza. A Capela foi construída na época quinhentista e a sua fundação aconteceu entre 1601 e 1637.


Dentro da Capela o altar principal, é em talha dourada barroca, do final de seiscentos, com colunas salomónicas, nicho, uma imagem da Virgem com o Menino e enquadra também alguma pinturas em madeira do séc. XVII.

Nas tábuas figuram Santa Escolástica, Santa Bárbara, Santa Umbelina e outras monjas santas da Ordem Beneditina.


Fonte de Santa Margarida


Muitas são as nascentes e fontes de água fresca e pura nesta zona. Muitas são também as lendas associadas essas águas santas que curavam doenças e brotavam de fontes milagrosas.

Também a Fonte de Santa Margarida, em Póvoa, padece da mesma fama. Contam os antigos que a água é de tal maneira boa, que os médicos nos tempos da febre pulmónica diziam não ser preciso ferver.

  
Ermida do Bom Jesus do Calvário ou Ermida de Santa Rita


Num dos mais belos pontos da região, um morro fronteiro a Cós, encontramos a Capela de Santa Rita. Ali, a paisagem é magnifica devido à altitude do local avista-se as várias localidades da freguesia, desfrutando-se da beleza que este panorama oferece.


A Capela, em si, é de uma só nave e a porta de entrada tem as armas dos Abades de Alcobaça e do reino. Lá dentro tem a capela-mor e dois altares laterais, dedicados à Santa Rita e à Senhora da Piedade. O tecto é de abóbada, pintado a amarelo dourado com ornatos e máscaras.

Local também de interesse único é o carreiro que dá acesso á capela, encontrando-se aí um Cruzeiro, tendo sido mandado construir devido á aparição de “Jesus Crucificado”, a uma das Monjas do Mosteiro, cujo nome era Rita. A edificação da capela deve-se a este facto.

Esta antiga Ermida do Bom Jesus do Calvário, também conhecida por Capela de Santa Rita, é uma obra do final do séc. XVIII.
 
Fonte: http://www.jfcoz.com / http://alcobaca.no.sapo.pt/

Trabalho elaborado por: Patrícia Santos Serrazina, nº 20, 7º F.

Póvoa - sua História


Nas imediações de Cós situa-se a povoação da Póvoa, onde foram encontrados muitos vestígios da civilização romana.

A Póvoa de Cós estava muito bem localizada na época dos Monges de Cister, pois por lá passava a antiga “estrada oceânica” que partia de Olisipo (nome romano da cidade de Lisboa) e se aproximava do mar, tocando Salir do Porto. A partir de São Martinho, ia-se afastando passando pela Povoa de Cós, Leiria, Soure e Coimbra, num progressivo afastamento da costa.

A povoação é constituída por dois lugares: Pedrogão e o Castelo. A zona que ainda hoje tem o nome de Castelo, fica no local onde outrora existiu um Castelo. Era no lugar do castelo que se situava a antiga fortificação que dominava a Lagoa da Pederneira.


O Castelo foi construído pelas povoações ribeirinhas, no séc. IX, para defesa dos ataques de piratas e vikings. Hoje só restam uns alinhamentos da muralha do desaparecido Castelo da Póvoa de Cós.

Quanto a Pedrógão, está minado de alicerces romanos, moedas, mosaicos, entre os quais o célebre mosaico polychrómico de que se reproduz a parte central. É o chamado “Rei de Cós”, uma cabeça radiada, ao que parece de Appolo-Sol, entre duas cornucópias.

Na totalidade, o painel agrupa fauna marinha, vasos e no centro um medalhão com o busto radiado. Pelo tipo de composição, motivos e utilização da cor, parece no seu conjunto, ser datado do séc. II.

Este painel encontrava-se no Museu Leite de Vasconselos em Lisboa, mas presentemente está exposto na Sala dos Reis do Mosteiro de Alcobaça e foi retirado dos restos dum sumptuoso edifício existente no Pedrógão.

Fonte: http://www.jfcoz.com/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Maiorga - Monumentos e locais a visitar

Igreja Paroquial de S. Lourenço



Foi fundada em 1542, possivelmente pelo cardeal Infante D. Afonso, Abade de Alcobaça e irmão do rei D. Manuel. Subsituiu a primitiva Igreja da Maiorga, que foi destruida e que era dedicada a S. Vicente. perto dela existia uma fonte de água milagrosa para doenças dos olhos e nela podia ver-se uma lápide que evocava os milagres desta santa água. Esta lápide que hoje está quase ilegivel, encontra-se num muro da Quinta do Outeiro.

Foi reparada e reconstruída em 1873. O interior deste monumento é sóbrio e podemos destacar a escultura policromada de S. Lourenço.


Na sacristia existem vários quadros pintados sob madeira, do séc. XVI, sendo curiosos os de S. Sebastião, S. Gregório e S. Pedro. Há ainda a destacar uma escultura policromada em pedra da Senhora do Pranto.

O interior é sóbrio. A pia de água benta foi feita por aproveitamento de um capitel quatrocentista. Na sacristia há um painel antigo do final do séc. XVI, num altar composto por duas tábuas que ladeiam um nicho.

Ermida do Espírito Santo


É um monumento Nacional. Foi ali a sede da antiga Misericórdia, que se uniu à de Alcobaça em 1775. Está hoje profanada e pouco resta da primitiva Ermida. 


Resta da antiga Ermida do Espírito Santo um belo pórtico manuelino, de verga recortada e ornamentada, com cogumelos e rosetas. Por cima deste belo portal está o escudo das quinas, coroado, com uma legenda em caracteres góticos.



Pelourinho


Foi provavelmente construído em 1514, ano em que D. Manuel I deu foral à Maiorga.

Encontra-se assente numa base escadeada e circular, com três degraus, sendo a coluna decorada com tecidos e botões com cabeça em jeito de pinha.


Quinta das Cidreiras

A Quinta das Cidreiras pertenceu ao Mosteiro e foi famosa pelas suas frutas (laranjas e cidras).

Até ao séc. XIX nesta Quinta não era permitido efectuar prisões. Esta quinta ainda hoje existe, pertencendo a uma família particular.


Quinta e Solar do Outeiro


A Quinta do Outeiro, hoje transformada numa nova zona urbana, onde em tempos existia o Solar do Outeiro do séc. XVI, que nos dias de hoje se encontra em degradação e condenada à demolição de acordo com os órgãos de comunicação locais.
 
A casa da Quinta do Outeiro, é muito típica e de feição popular. A sua construção do séc. XVI, possuia janelas de colunelos, portal nobre.

Possui escadaria exterior, varanda alpendrada e colunas, com brasão de armas, sobre a porta ao lado da escada e terá tido belos frescos pintados nas salas.

Trabalho elaborado por: Adriana Ferreira, nº 1, Catarina Martinho Nº10 , Fabiana Costa, nº14 ,Patrícia Serrazina, nº20, Sara Serrazina, nº23, 7º F, Grupo  2.

Fonte: "Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça", Maria Zulmira Albuquerque Furtado Marques, Alcobaça, 1994.



Ferrarias

Ferrarias é uma localidade perto da Maiorga onde se faziam armas e arneses para dezasseis cavalos que todos os anos os Abades de Alcobaça tinham por obrigação aprontar para o rei.
Fonte: "Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça", Maria Zulmira Albuquerque Furtado Marques, Alcobaça, 1994.


Trabalho elaborado por: Bruna Duarte Silva, nº8 7º F.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Maiorga - sua História


A história da Maiorga é longa e rica em factos. Desde vestígios do fim do Neolítico, passando pelas "marcas" cistercienses, até aos nossos dias.

Esta povoação encontrava-se outrora nas margens da antiga Lagoa da Pederneira, o que se reflecte ainda na paisagem actual através dos seus férteis campos agrícolas.

Ali passava uma importante via que ligava Alcobaça a Leiria tendo por isso uma pousada que acolhia os viajantes.

Ao que se sabe a sua origem é romana, tendo sido uma das vilas mais importantes dos Coutos de Alcobaça, provavelmente a maior que marginava a antiga Lagoa da Pederneira, daí o nome, primeiro "Maiorca" ( em latim, a maior ) e mais tarde Maiorga


Recebeu a 1ª carta de povoação em 1303 e com ela alguns casais com vista à povoação e com o objectivo de constituir uma vila, tendo obtido o primeiro foral em 1352, que lhe foi dado por D. Frei Pedro Nunes, abade de Alcobaça.

Em 23/8/1514 D. Manuel I deu-lhe novo foral, data em que foi construído o Pelourinho de influência gótica, que ainda hoje se encontra no largo principal ao qual dá o nome.

A Maiorga foi coutada celebre e o maior celeiro dos Frades de Cister, estando subjugada ao poder do Mosteiro, mas as relações nem sempre foram pacíficas, pois frequentemente os habitantes se recusavam a pagar a dízima e os foros.

Teve uma escola agrícola de grande importância para os Coutos de Alcobaça que funcionou na Granja, entre os sec. XIII e XVII, tendo entrado em decadência devido a más relações entre os Abádes, Frades e Colonos.


Os moradores fizeram progredir economicamente a Vila da Maiorga que, no seu período aureo teve a sua administração pública confiada à Casa da Câmara, a dois Juízes Ordinários, dois Vereadores, um Procurador do concelho e dois Escrivães. Ainda hoje existem vestigios destas estruturas administrativas, nomeadamente o Pelourinho e a antiga prisão.

Nos finais do sec. XVIII e uma vez que já se tinha dado o recuo das águas da Lagoa da Pederneira se fez o enxugo dos campos que ficaram muito férteis o que veio trazer grande riqueza à população desenvolvendo em muito a agricultura.

Este enxugo foi feito através da abertura de canais, um sistema ainda hoje digno de ser apreciado e sobretudo estudado.

A vila da Maiorga e as suas freguesias, após as vicissitudes sofridas com a exploração dos Abades Comendatários (1475/1641) voltaram a crescer nos séculos XVII / XIX, até à extinção das Ordens Religiosas e a supressão do Município e do Concelho da Maiorga ( 1837 a 1842) devido à reorganização administrativa do território.


Cerca de 1537, aproveitando a passagem do rio na Fervença desenvolveu-se uma fábrica de papel, onde mais tarde os Frades de Cister vieram a construir um lagar de azeite e no século XVIII até as evasões francesas existiu uma fábrica de tecidos que se celebrizou pelas famosas chitas e lenços de Alcobaça.

Esta fábrica criada na proximidade do rio e aproveitando a sua força motriz foi possivelmente o impulso para em 3 de Fevereiro de 1875 ser criada a Companhia Fiação e Tecidos de Alcobaça, Lda, empresa esta que teve uma importância extrema para o desenvolvimento da Maiorga, Alcobaça e outras freguesias limitrofes.

Esta fábrica, inaugurada a 2 de Fevereiro de 1878, laborou durante 120 anos tendo passado ao longo deste tempo por períodos aureos mas também por alguns períodos de instabilidade, até que em 1998 encerrou definitivamente as suas portas.

Fonte: Maria Zulmira Albuquerque Furtado Marques, "Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça", Alcobaça, 1994.

Fotos: Dias dos Reis

Trabalho elaborado por: Adriana Ferreira, nº 01, Catarina Martinho, nº 10, Fabiana Costa, nº 14, Patrícia Serrazina, nº 20, Sara Serrazina, nº 23, 7º F, Grupo 2.