quarta-feira, 14 de abril de 2010

Caldas da Rainha - sua História




A cidade de Caldas da Rainha, cujo nome provêm da Rainha Dona Leonor, é também conhecida como 'Termas da Rainha', e a sua história está intimamente ligada a seus importantes recursos termais, com a existência de fontes de águas termais sulfurosas, cujos efeitos terapêuticos foram comprovados em várias civilizações durante séculos. As propriedades curativas destas águas já eram conhecidas pela população quando a Rainha D. Leonor, esposa de D. João II, as descobriu.

Reza a história, que em 1484, durante uma viagem de Óbidos à Batalha, a Rainha Leonor e a sua corte, tenham passado por um local onde várias pessoas se banhavam em águas de cheiro intenso.

A rainha perguntou-lhes porque o faziam, pois naquele tempo não era normal as pessoas tomarem banho, muito menos em águas com cheiro pouco agradável, ao que responderam que eram doentes e que aquelas águas possuíam poderes curativos.


A rainha quis comprovar se assim era e banhou-se naquelas águas, pois também ela era doente, embora não haja concordância em relação a este facto, pois alguns autores dizem que a rainha padecia de uma úlcera no peito, outros que tinha problemas de pele e outros ainda que tinha simplesmente uma ferida no braço. Conta a lenda que a rainha se curou e que no ano seguinte mandou construir naquele lugar um Hospital Termal para todos aqueles que nele se quisessem tratar.

No ano de 1485 a rainha ordenou a construção de um lugar com fins terapêuticos que se converteria no primeiro Hospital Termal do mundo.

O desenvolvimento das Caldas da Rainha iniciou-se com D. Afonso V, que reconstruiu e ampliou o Hospital Termal. Durante treze anos, até ao fim da sua vida, ele e a família real, bem como o resto da corte usufruíram das águas termais anualmente, o que permitiu à vila desenvolver-se.


A cidade começou a prosperar graças a suas curas termais, muito demandadas pelos reis e aristocratas portugueses, mas também graças a fruticultura e ao seu famoso artesanato.

Apesar do seu desenvolvimento e importância durante a Idade Média, Caldas da Rainha não se criará como Concelho até o ano de 1821. No decurso deste século vive a sua época de maior esplendor porque os balneários entram na moda. Caldas da Rainha atingiu o estatuto de vila em 1511 e de cidade em 1927.

A abundância de argila na zona fez com que se criassem numerosas fábricas de cerâmica, a cidade converte-se num dos principais centros de cerâmica do país, onde destacaram as criações do famoso artista do século XIX, Rafael Bordalo Pinheiro que encheu as suas peças de cerâmica de originalidade, crítica e humor.


Durante o século XIX e XX a população continua seu desenvolvimento, sendo um dos lugares mais frequentados pelas classes mais poderosas. No ano 1927 é elevada à categoria de cidade.

Actualmente pertence ao Distrito de Leiria e as suas famosas águas sulfurosas continuam a atrair numerosos turistas, mas os atractivos que a cidade oferece vão mais além do turismo balnear, destacando-se o seu rico património histórico e cultural.

Trabalho elaborado por: Adriana Ferreira, nº 1, Catarina Martinho Nº11, Fabiana Costa, nº 14, Patrícia Serrazina, nº 20, Sara Serrazina, nº 23, Grupo 2.Fonte: http://www.aportugal.com/caldasdarainha/index.htm / wikipédia


terça-feira, 13 de abril de 2010

Almoster - Monumentos a visitar

Convento de Santa Maria de Almoster


O Convento de Santa Maria de Almoster situado em Almoster, freguesia do concelho de Santarém. Este convento gótico, fundado no século XIII e extinto em 1834, acolheu monjas da Ordem de Cister. A parte do conjunto que chegou aos dias de hoje, que inclui a igreja e as ruínas do claustro, tornou-se Monumento Nacional em 1920.

O convento foi fundado em 1289 por D. Berengária Aires,  aia da Rainha Santa Isabel e mulher de D. Rodrigo Garcia, em cumprimento do desejo testamental da sua mãe, D. Sancha Pires. As obras resultaram da iniciativa conjunta da fundadora e da Rainha Santa, tendo esta última mandado edificar o claustro e a enfermaria.

Após a conclusão das obras, a Rainha Santa Isabel continuou a manifestar interesse pelo convento, deixando-lhe em testamento cerca de mil libras. A data de conclusão das obras é desconhecida, sabendo-se apenas que aquando da morte da fundadora, em 1210, aquelas ainda não tinham terminado.


Logo desde a sua fundação, o convento cisterciense assumiu uma grande importância em toda a região, como se comprova pela cobrança de dízimos e pelo recebimento de um foro de uma galinha por habitação erguida no Couto de Almoster, em vigor até à extinção. De entre as várias religiosas que aqui professaram, há a destacar D. Violante Gomes, mãe de D. António, Prior do Crato.

Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento foi progressivamente votado ao abandono, entrando numa fase de delapidação e de destruição do seu rico património que iria durar até quase aos meados do século XX.


Ainda em 1910, a igreja foi vandalizada e roubada, tendo desaparecido azulejos, quadros e um pórtico que existiu na Casa do Capítulo. Nos anos 50 do século XX, o estado de degradação a que o conjunto chegara, levou à substituição da cobertura abobadada da nave central, pelo actual tecto de madeira. O órgão e a pedra de armas sobre o pórtico principal já haviam sido apeados, enquanto que o edifício anexo à igreja se encontrava transformado em vacaria. Desde então, o conjunto tem sido objecto de uma vasta intervenção de recuperação, que lhe procura conferir algumas das suas características originais.

A fachada nascente contém o óculo da capela-mor e apresenta frestas nas absides, sendo estas rasgadas por janelas quadrangulares. Na fachada norte, encontram-se adoçados o claustro e a Sala do Capítulo. Finalmente, a fachada sul é rasgada por três estreitas frestas e pelo grande pórtico da igreja, inserido em gablete. Esta parede é corrida, a meia altura, por uma cachorrada de pedra, que encima uma arcada de nove vãos em arcos de volta perfeita sobre pilares de cantaria.


O pórtico apresenta três arquivoltas góticas bem delineadas, arrancando de quatro colunas capitelizadas e de dois pilares de pedraria. Do lado direito da porta, ergue-se uma capela de invocação de Nossa Senhora da Piedade, hoje transformada em casa de arrecadações do convento, que possui um abobadado de artesões firmados com rosetas nos fechos. À entrada do recinto conventual existe uma fonte antiga que possui, a preencher o nicho da espalda, uma imagem de pedra de S. Pedro, datada do século XV.

A igreja segue a tipologia simplificada do gótico mendicante escalabitano, apresentando os volumes escalonados da cabeceira, de três capelas rectangulares, e das naves. A fachada poente é dividida em três panos divididos por contrafortes, reflectindo as três naves de diferentes alturas. O registo superior do pano central é rasgado pela rosácea.


O interior da igreja é de três naves, com cinco tramos de arcos de ponta de lança arrancando de robustas colunas capitelizadas. O espaço interno do templo encontra-se dividido pela construção de um coro baixo maneirista, que separava a zona das religiosas da parte destinada aos leigos. São de referir, no interior da Igreja, vários altares de talha dourada e panos de azulejos seiscentistas:

A Capela-Mor, apresenta tecto em abóbada nervurada, pintada com frescos. As paredes são revestidas de azulejos seiscentistas, tipo “padrão” e "tapete". O Altar-Mor é de talha dourada, com um camarim em arco. No retábulo, duas mísulas albergam as esculturas de madeira de São Bento e São Bernardo. A parede do lado esquerdo ostenta o brasão e lápide de Gil Eanes da Costa e sua mulher, Dona Joana da Costa.


A Capela de S. João Evangelista (Evangelho), possui uma guarnição em silhar de três painéis de azulejo figurativo do século XVIII, com cenas da vida de S. João Evangelista: martírio (caldeira fervente); envenenamento (cálice com uma serpente) e revelação (escritura do Apocalipse em Patmos).

O altar, de talha dourada, tem quatro colunas em espiral (salomónicas), suportadas por uma Fénix (ou um pelicano) e decoradas com motivos de uvas e parras. Ao centro, um nicho com remate em concha, alberga a imagem do patrono. A iluminação é feita através de uma clarabóia de vidro em formato octogonal, aberta na cúpula.


A Capela de Nossa Senhora do Rosário (Epístola), com tecto em abóbada quebrada e decoração de brutescos, apresenta as paredes forradas de azulejos setecentistas. No altar neoclássico, com duas colunas em espiral onde se misturam a talha dourada e a pintura, alberga-se a imagem de Nossa Senhora do Rosário. O frontal é decorado com aplicações de azulejos fragmentados e bordadura dos lados. À esquerda encontra-se a lápide de D. Duarte da Costa e Dona Paula da Silva, netos de D. Gil Eanes da Costa.

O Altar Maneirista (Transepto), posto a descoberto em 2005, quando do restauro levado a efeito pelo IPPAR, alberga o túmulo da fundadora, D. Berengária Aires (século XIII). Neste local situava-se originalmente o altar de S. João Baptista, actualmente montado no corpo da igreja.


O Altar de Santa Ana e S. Joaquim, em madeira de talha dourada, possui colunas em espiral (salomónicas), sendo rematado por baldaquino com sanefa. Da gramática decorativa constam anjos suspensos (nos capitéis) e fénix ou pelicanos (nas pilastras). Num nicho, ao centro, encontram-se as imagens estofadas de Santa Ana e S. Joaquim, patronos do altar. No centro da mesa vê-se uma inscrição da época, onde se faz referência ao doador ou encomendador. O frontal, de tecido damasco bordeaux, tem aplicações artísticas de galão de veludo castanho e de entremeio prateado.

O Altar de Nossa Senhora das Dores, mandado construir em setecentos, em memória das figuras, entretanto desaparecidas, de S. Bento e S. Bernardo, às quais se destinavam os nichos adjacentes. Possui actualmente a imagem de Nossa Senhora das Dores. Em talha dourada e anjos decorando as quatro colunas, detém caprichosos relevos e uma interessante pintura perspéctica sobre madeira, rematada por um baldaquino com sanefa. O frontal é de tecido adamascado com franja.


O Altar de S. João Evangelista, também do século XVIII, é muito rico em talha dourada, com relevos em forma de parras, uma Fénix e anjos pendentes dos lados. Duas colunas laterais, com base de volutas e rematadas por pináculos, enquadram imagens de religiosos beneditinos. O nicho central, onde se alberga a imagem do apóstolo, tem à sua frente um medalhão ladeado por dois anjos e termina em concha. Uma pintura sobre madeira, de inspiração rococó, decora o frontal.

O Altar de Nossa Senhora do Carmo, datado da segunda metade do século XVIII, é em madeira de talha dourada. Duas colunas salomónicas parcialmente pintadas enquadram uma tela figurando Nossa Senhora do Carmo, Santo Ângelo (martirizado), S. Simão Stock (recebendo da Virgem o escapulário), além de outros religiosos carmelitas não identificados. O altar é rematado pelo brasão dos Carmelitas.


O Altar da Virgem, rematado por baldaquino e sanefa, é feito em madeira de talha dourada, com colunas salomónicas decoradas com parras, fénix, pelicanos e anjos em suspensão. No retábulo, quatro pinturas do século XVIII (das cinco iniciais) retratam cenas da vida da Virgem Maria: ‘Nascimento’; ‘Apresentação no templo’; ‘Circuncisão do Menino Jesus’ e ‘Assunção’. No nicho central encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal. O frontal, de seda natural, bordado a matriz, é de grande beleza e riqueza.

O Altar da Sagrada Família, construído ao estilo barroco, é um dos mais ricos da igreja. Feito em madeira de talha dourada, possui caprichosos relevos. Uma larga moldura reservada a um presépio possui pinturas fingindo charão - "chinoiserie" (pintura oriental chinesa, do século XVIII) –, também presente na pintura de uma cidade amuralhada. Ao centro, enquadrados num grande nicho, encontram-se as imagens de Maria, José e o Menino Jesus, de grande perfeição e valor artístico, datáveis do século XVIII.


O Altar de Nossa Senhora da Graça, invocando a padroeira em legenda inscrita numa cartela setecentista, é em talha dourada, com dois anjos em suspensão. Possui um interessante retábulo, no qual se inscrevem quatro pinturas sobre madeira, representativas da vida de S. José e da Virgem: ‘Aviso do Anjo a S. José’; ‘Fuga para o Egipto’; ‘Menino Jesus entre os Doutores’ e a ‘Morte de S. José’. Um nicho central, encimado pela pomba do Espírito Santo, alberga a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que substituiu a da Senhora da Graça, entretanto desaparecida. O frontal é em seda natural, bordada a matriz.

O Altar de S. João Baptista, datado do século XVIII e feito em talha dourada, detém enorme valor artístico. Um grande nicho, ladeado por pilastras, enquadra a imagem de S. João Baptista. A composição é encimada por uma coroa-brasão barroca, que contribui para a riqueza decorativa do altar. No centro, vê-se um medalhão ladeado por dois anjos, de onde sobressai a cabeça de S. João Baptista. Vários anjos de grande perfeição completam o adorno. O frontal, de elevado valor estético, é de azulejo polícromo, recebendo claras influências das tapeçarias orientais. Motivos florais e zoomórficos enquadram um "Agnus Dei", recortado em cartela, envolvendo um resplendor, símbolo do precursor.


O Altar do Sagrado Coração de Jesus, de filiação barroca, é construído em talha dourada, possuindo pequenos nichos laterais com anjos suspensos. Uma mísula central alberga a imagem do patrono, enquadrada num reposteiro com cordões de borla, pintado de azul e dourado e rematado em concha. Um cesto encanastrado com flores (girassóis), ladeado por dois anjos de grande perfeição, encima a composição. O frontal é de madeira, forrado de tecido adamascado.

O Altar do Senhor dos Passos, de grandes dimensões, decorado em talha dourada, tem baldaquino com sanefa, onde estão pintados vários motivos: o sol, a lua e um resplendor, sobre um fundo de paisagem decorativa. Ao centro, a figura do Senhor dos Passos, e em baixo, um outro pequeno nicho, ladeado por dois anjos, em cujo interior se podem observar pinturas de flores e pássaros. O altar está enquadrado numa moldura pintada com motivos orientalizantes. Um friso com um livro e a cruz dos Hospitalários, duas cruzes laterais e um "Agnus Dei", fazem-nos a crer que terá sido dedicado a S. João Baptista, de quem as monjas eram muito devotas. O frontal, de madeira envelhecida, revela vestígios de pintura.


O Altar do Senhor dos Aflitos, projectado para enquadrar um ‘Cristo Crucificado’ em tamanho natural, do princípio do século XIV, apresenta uma interessante pintura sobre madeira do século XVI, figurando S. João Evangelista e a Virgem, destacando-se, ainda, o pormenor do soldado e a escada para a descida da cruz. Em fundo, uma representação da cidade de Jerusalém.

Os dotes culinários destas monjas de Cister, podem ser ainda hoje apreciados, através dos “Arrepiados” e “Celestes”, cujas receitas tradicionais foram mantidas vivas pelas habitantes de Almoster.

 Fonte: http://www.geocaching.com/

Fotos: Dias dos Reis

Almoster - sua História


Situada a poente de Santarém, no início de uma elevação que se prolonga pelo Concelho de Rio Maior, a freguesia de Almoster (antiga paróquia de Santa Maria de Almoster) dista 13 quilómetros da sede do Concelho.

O topónimo Almoster, “al monasterium”, de origem híbrida latina/árabe, parece denunciar a presença de um mosteiro ou simples ermitério protocristão. Desse primeiro mosteiro apenas nos resta o topónimo. Contudo, existem vestígios de ocupação humana na região desde o III milénio a.c. – Calcolítico e Idade do Bronze Inicial. Disso dão prova os achados que hoje fazem parte da colecção do Museu Nacional de Arqueologia.


O lugar de Almoster foi o escolhido por D. Sancha Pires, em testamento datado de 1287, para a fundação de um mosteiro, que sua filha, D. Berengária Aires, inicia, em 1289/90, a construção de um mosteiro feminino, submetido à Ordem de Cister, o Mosteiro de Santa Maria de Almoster, do qual hoje nos resta apenas a Igreja, recentemente recuperada pelo IPPAR, os Claustros e a Casa do Capítulo (séc. XIV) e as ruínas do Dormitório e Refeitório (séc. XVI).

Foi igualmente na freguesia de Almoster, no lugar de Santa Maria (Casal da Charneca), que se travou, em 18 de Fevereiro de 1834, a Batalha de Almoster entre as tropas absolutistas de D. Miguel e as tropas liberais de D. Pedro, tendo estes últimos alcançado a vitória, iniciando-se aí um novo período da nossa história, a Monarquia Liberal.


Ainda hoje está patente no brasão de Almoster, uma banda de cor vermelha e prata que é o símbolo da Ordem de Cister. Os dois distintivos em chefe e em ponta significam as duas facções rivais das lutas liberais: o distintivo de azul e vermelho representa a facção absolutista, tradicionalista; o distintivo de prata e azul representa a facção liberal, constitucional.

Muitos são ainda os testemunhos da actividade da freguesia nos finais do séc. XIX e XX, como os fornos de cal, a fábrica de tijolos, pedreiras, moinhos de água e de vento, bem como todo um espólio reunido no Museu Etnográfico da Freguesia de Almoster.


Trabalho elaborado por: Fabiana Crisóstomo Costa, nº14, 7º F, Grupo nº 2.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Rio Maior - Monumentos e locais a visitar

Marinhas de Sal ou Salinas de Rio Maior


No caminho entre a Benedita e Rio Maior, encontramos o Alto da Serra e dele podemos descer para as Salinas Naturais de Rio Maior.

Estas ficam situadas num vale a 3 km da cidade de Rio Maior, na encosta da Serra do Candeeiros, dentro da àrea do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, sendo as únicas salinas naturais existentes em Portugal.



As Salinas de Rio Maior são uma mina de sal-gema, muito extensa e profunda, atravessada por uma corrente subterrânea, que alimenta um poço de onde se extrai a água, sete vezes mais salgada que a do Oceano Atlântico.

O poço comum, com as sete regueiras, as picotas ou cegonhas, os talhos e as eiras, assim como as rústicas e típicas casas de madeira com as suas chaves e fechaduras também em madeira, completam esta curiosidade da Natureza.


O Processo de exploração é tipico e artesanal, constituindo estas salinas naturais o verdadeiro ex-libris da Cidade de Rio Maior. As sua piramides de sal constam até do brazão da cidade.

São oito séculos de história, desde que em 1177, Pero D`Aragão e a sua mulher Sancha Soares venderam à Ordem dos Templarios a quinta parte que tinham no poço e Salina, conforme diz Pinheiro Leal no "Portugal Antigo e Moderno" (8 volume [1876]), citando o documento comprovativo dessa venda. É aliás o mais antigo documento conhecido que se refere a Rio Maior.


Certamente que através de séculos, a exploração das salinas fez-se por processos iguais aos de há poucos anos, quando a água salgada era tirada por meio de picotas introduzidas na Península Ibérica pelos Árabes.

Mas consta que, antes da reconquista cristã, os Romanos e depois os Árabes, já as exploravam em larga escala.


Nestas épocas recuadas o sal era uma substância muito importante no comércio entre povos, alguns o utilizavam até para pagamento de jornas, daí a palavra salário.


Capela de Nª. Sª. da Victória


Situada no ponto mais alto da cidade, foi reconhecida por Capela das Almas por ter pertencido à Irmandade das Almas.

Actualmente cedida à paróquia, encontrava-se incorporada na misericórdia desde 1914. Não se encontrando aberta ao culto.

A Capela poderá constituir evolução de outra, pertencente ao paço, sobre o qual se encontra parcialmente constituída.


Igreja da Misericórdia, antiga Igreja do Espírito Santo

                             

A Igreja da Misericórdia tem, ao longo dos anos, sofrido várias alterações que a descaracterizaram um pouco. No entanto, a sua arquitectura simples e a talha dourada no interior, foram preservadas.

A Igreja perdeu a função de matriz com a construção de uma nova Igreja, mas continua a exercer funções. A Misericórdia é, actualmente, a entidade responsável pela sua conservação e, em colaboração com a Paróquia, procura manter vivo este espaço, através da realização de celebrações religiosas e de espectáculos musicais. É o exemplar mais significativo da presença do barroco no concelho.

A obra enquadra-se numa época muito própria. D João V, 1698 - 1750, monarca da dinastia de Bragança, filho de D Pedro II e de D Maria Sofia Isabel de Neubourg, protagonizou a ultima manifestação do absolutismo monárquico em Portugal, que atinge o seu apogeu na arte barroca no País.


                                            
Os moradores de Rio Maior pediram a D. José I, em Janeiro de 1759, a criação de uma irmandade da Misericórdia que tomasse conta do hospital. O rei concedeu-a por alvará de 18 de Abril de 1759, com a obrigação de prestarem contas ao provedor de Santarém. A Misericórdia foi assim fundada em 19 de Abril de 1759 e possuía uma capela privativa, actualmente a Igreja.

Em virtude da ruína da Igreja Matriz, em 1810, passa a Igreja da Misericórdia a ter essas funções, mas em 1875, sendo o espaço exíguo para conter a população da então Vila de Rio Maior, o povo irá requerer a construção de uma nova e mais espaçosa. Por alguma razão, optou-se antes pelo alargamento da Igreja da Misericórdia em detrimento da construção de uma nova Matriz. Possuía por Orago, Nossa Senhora da Assunção. Com a construção da actual Matriz, em 1968, dá-se a sua transferência, passando esta Igreja a ter por Orago, a Rainha Santa Isabel, padroeira das Misericórdias.

O templo data da 2ª metade do século XVII.   As remodelações sofridas ao longo dos anos e em 1901, foram-lhe tirando o seu carácter original. A construção desta igreja é sólida, modesta e simples.

                                       

Na fachada apresentam-se cinco janelas de frontão clássico. O interior tem uma só nave, altar-mor, dois altares colaterais e três laterais, um coro singular que se dobra em dois corpos laterais, poisados em arcarias. Os dois altares colaterais em pedra, têm as imagens de Nossa Senhora de Fátima e do Sagrado Coração de Jesus. Num dos dois altares colaterais está colocado um retábulo de pedra, obra vulgar de quinhentos de uma rudez curiosa. No tímpano em relevo uma tabela com a legenda: "Avé Maria".


Casa Senhorial D`El Rei D. Miguel
                          

Ao lado da Igreja da Misericórdia, encontra-se a Casa Senhorial D`El Rei D. Miguel, que se situa na antiquíssima Praça Velha, no coração do centro histórico de Rio Maior ocupando uma área limitada a Norte pela Travessa do Espírito Santo, a Sul pela antiga Igreja Matriz, hoje Igreja da Misericórdia, a Nascente pela Rua Serpa Pinto e, a Poente, pela Rua Mouzinho de Albuquerque.

Este edifício tem janela de sacada com resguardos em ferro janelas de guilhotina à antiga portuguesa, porta de serviço com alpendre de colunas. Segundo a tradição D. Miguel ali se albergava e ali residiu mesmo nas vésperas da Batalha de Almoster, que ocorreu em 18 de Fevereiro de 1834.


Villa Romana

                             

A Villa Romana de Rio Maior foi descoberta em 1983. Em 1992, os Serviços de Arqueologia da Câmara Municipal de Rio Maior, com o apoio do Instituto Português do Património Cultural -IPPC, procederam à abertura de uma vala de sondagem que seria continuada no ano seguinte.

As villas romanas que até agora foram encontradas no nosso País, eram unidades de produção agrícola e agro-pecuária sendo o excedente dos seus produtos para fornecer as cidades e o exército.

                          

Em 1995 iniciaram-se as escavações sistemáticas em área, e no ano seguinte, com a colaboração do IPPAR instala-se uma cobertura numa parte já escavada da Villa Romana, destinada a salvaguardar e proteger das intempéries este património histórico-arquitectónico, sendo as restantes áreas do mosaico protegidas com a colocação de tela de ráfia e areia lavada.

As escavações efectuadas em 1992-93 permitiram pôr a descoberto um significativo espólio, para além de um conjunto de diversos painéis de mosaico que, pela sua gama cromática e desenho, são atribuíveis ao século II / III .

                            

Desse espólio destacamos uma estátua de Ninfa, esculpida em mármore branco, cujas dimensões aproximadas são: 91cm x 42cm x 31cm

A escultura era uma presença constante no Mundo Antigo: nos templos, monumentos públicos, ruas e praças urbanas e jardins privados das vivendas mais ricas. Sendo as Ninfas Deusas secundárias que personificavam a fecundidade e a graça, pensa-se que esta poderia representar o génio tutelar de Rio Maior, o Deus que os romanos pensariam que vivesse no rio Maior.

                             

A Ninfa pode ser apreciada no átrio da Câmara Municipal de Rio Maior, de 2ª a 6ª-feira, das 9.00h às 17.30h.

As visitas à Villa Romana devem ser marcadas com antecedência junto dos serviços de Arqueologia ou Turismo da Câmara Municipal de Rio Maior.
                                     
Trabalho elaborado por:
Fonte: /riomaior-cidadeviva.com

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Rio Maior - sua História


Terra de fronteira entre regiões, Rio Maior foi também, desde sempre, terra de passagem, de norte para sul, do interior para o litoral. Mas foi também terra de fixação de vários povos e múltiplas culturas.

A arqueologia tem-nos revelado parcelas importantes dessa fixação destacando-se artefactos de diferentes períodos da pré-história, com destaque para o paleolítico superior (25.000 b.p. – Vale de Óbidos) e neolítico (5.000 b.p. – Anta de Alcobertas), mas também as presenças romana e árabe, aquelas que no fundo nos deixaram melhores e mais marcantes testemunhos.

A opção pela fixação está ligada às condições naturais que a região oferecia: a exploração mineira e a produção de cereais, vertentes principais do fluxos de homens e capitais que constituem a matriz riomaiorense.


A Villa Romana, casa típica de rico mercador, implantada à beira do rio no início do séc. III, constitui o núcleo a partir do qual se estrutura, a aldeia, a vila e hoje cidade de Rio Maior.

Depois, a presença moçárabe, mais nítida nos Silos e Forno Cerâmico, na freguesia de Alcobertas, espelha a profundidade das ligações que ambas as civilizações, tão diferentes e distantes no tempo, foram capazes de imprimir no território.

Aquando da fundação da nacionalidade, a região aparece disputada por vários poderes, desde a Ordem Militar dos Templários (1146) à Ordem Monástica de Alcobaça (1153), passando pela autoridade Régia e, sobretudo, a Municipal. É esta última que marca sobremaneira o viver quotidiano das gentes riomaiorenses, primeiro por ser Termo da Vila de Santarém, depois por passar a pertencer ao concelho de Azambujeira instituído em 1633; finalmente quando a vila se constitui, ela mesma, em concelho.


É ainda da Alta Idade Média a primeira referência à terra e à região, num documento de venda de um talho das salinas, actual ex-libris do concelho. Trata-se de uma carta de «Doacom de falinas ? Rio mayor», assim se intitula o documento, que regista a transação - de um particular para a Ordem do Templo - realizada em 1177. Desde então, e até hoje, muitos foram os seus titulares e muito trabalho de agricultores, tornados marinheiros, têm sustentado safras sazonais que, de Abril a Setembro, cobrem de branco a terra parda com a antiquíssima e artesanal arte.
Temos notícia da passagem e estada de D. Fernando, rei de Portugal, e de D. Pedro, duque de Coimbra, regente do reino, a caminho da Batalha de Alfarrobeira (1449) às portas de Lisboa, onde viria a falecer. Os impulsos destas estadas régias numa aldeia de tão pequenas dimensões repercutem-se de imediato e trazem ao burgo mais gente e mais movimento naquela encruzilhada de caminhos.

As guerras da Restauração (1640-1667) que se seguem à expulsão dos representantes de Filipe III distinguem o capitão de ordenanças João de Saldanha e Sousa, antepassado dos Condes de Rio Maior, e permitem a institucionalização de nova sede de Concelho em Azambujeira, elevada que fora à categoria de Vila pouco tempo antes. Nos duzentos anos seguintes a aldeia e freguesia de Rio Maior, deixando de fazer parte do Termo de Santarém, passa a pertencer à nova circunscrição municipal.


No entretanto, assiste-se ao aumento demográfico e valorização do seu potencial económico traduzido na criação de uma Feira Anual. Por outro lado, vê multiplicarem-se as suas instituições com destaque para a criação da Irmandade da Misericórdia e para o Hospício dos frades franciscanos que em 1763 inicia o fabrico de buréis.

Dois anos depois, em 1836, é institucionalizado o Concelho de Rio Maior. A nova entidade administrativa, que toma o lugar do extinto concelho de Azambujeira, nasce apenas com cinco freguesias (Rio Maior, Outeiro da Cortiçada, Arruda dos Pizões, S. João da Ribeira e Azambujeira), mas reserva para si a dinamização de um, Mercado Mensal ligado, sobretudo, à comercialização de produtos agrícolas e manufacturados. Pouco depois, em 1855, vê juntarem-se lhe duas novas freguesias, Alcobertas e Fráguas, por ter sido extinto o concelho de Alcanede, ao qual pertenciam. O puzzle ficará composto, por mais de um século, com a criação da freguesia da Marmeleira em 1878.

No último quartel do século XIX, são de registar significativos melhoramentos ao nível do património e com implicações na vida quotidiana: em 1864, a canalização de águas para dois chafarizes, um na Praça do Comércio, outro no Largo (e na mesma zona tanque para animais); destaque ainda para o Hospital da Misericórdia, construído em 1870, junto à Igreja, e algumas pontes em alvenaria (Rio da Ponte - 1870), em ferro (Barbancho – 1876) e inúmeras outras em estrutura de madeira, como no rio Alcobertas e na Ribeira do Juncal.

Na viragem do século o concelho de Rio Maior continua a ter a sua gente maioritariamente ligada às actividades agrícolas, com particular realce para os cereais e o olival, bem como a vinha que, entretanto, começa a despontar. No entanto, importa referir a constituição da primeira sociedade para exploração do carvão de pedra, em 1890, embora seja bastante mais tarde que a indústria mineira ganha importância e dimensão. As restantes indústrias são ainda essencialmente manufactureiras e desenvolvem-se na base de oficinas de madeiras, do ferro e latão, dos couros e cerâmica.

A II Guerra Mundial traz à mina de lenhite do Espadanal, em Rio Maior, um acréscimo de exploração que dá trabalho a centenas de mineiros vindos de todos os pontos do país. Este surto de desenvolvimento que leva o Estado a investir na linha de caminho de ferro, proposta havia quarenta anos, vai contudo servir apenas o transporte do carvão ficando por realizar a aspiração maior, o tráfego de passageiros e mercadorias gerais. A exploração de areeiros, iniciada em 1946, completa a implantação da indústria extractiva alargando, simultaneamente, o universo de referências do microcosmo riomaiorense e a valorização das suas elites.

Ao comemorar os 150 anos da institucionalização do concelho a vila vê reconhecida a sua importância e o trabalho abnegado das suas gentes que foram capazes de transpor obstáculos, superar dúvidas, e acreditar. A elevação à categoria de Cidade traduziu essa vontade de não deixar morrer a esperança que se constrói dia a dia e que alimenta o futuro.


Fonte: www.cm-riomaior.pt (trabalho de: Dr. Augusto M. Tomaz Lopes).

terça-feira, 6 de abril de 2010

3º Percurso de Estudo

3º Percurso de Estudo: Benedita; Salinas de Rio Maior; Rio Maior; Almoster; Caldas da Rainha; Salir de Matos; Vale de Maceira; Alfeizerão; São Martinho do Porto; Salir do Porto; Macarca; Famalicão da Nazaré; Cela Velha; Benedita.



Trabalho elaborado por: Pedro Rafael, nº 22, 7º F, Grupo 1.

sábado, 27 de março de 2010

Sitio da Nazaré - Monumentos e locais a visitar

Santuário de Nossa Senhora da Nazaré


Esta antiga Igreja tem traços típicos barrocos. No seu interior encontramos uma riqueza antiga e uma beleza inconfundível. O seu tecto de madeira e o altar-mor trabalhado são prova viva dos séculos passados. No altar encontra-se a imagem da Virgem e do Menino oferecidos por D.João V. Nas traseiras deste Santuário situa-se o Hospital que desde sempre acudiu aos problemas de saúde dos peregrinos.

Em 1377, o Rei D. Fernando mandou construir a primitiva igreja para albergar a sagrada imagem e dar acolhimento ao grande número de peregrinos em visita à Senhora da Nazaré. Esta foi ampliada nos reinados de D. João I, D. João II e D. Manuel, sofrendo sucessivas beneficiações.


É um grande edifício, dominado por duas altas torres sineiras de coruchéus, em estilo barroco, antecedidopor uma ampla galeria alpendrada, em lioz, mandada erguer por D. Manuel, para alojar os romeiros. Todo o edifício atesta a grande reforma do final do século XVII (1680 a 1691).

O interior é de uma só nave, em forma de cruz latina, coberta por um tecto de madeira pintado à maneira da época. Na boca da Tribuna encontrava-se uma grande pintura sobre tela, alusiva ao milagre do aparecimento de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho, que pode ser admirada à entrada da nave do lado esquerdo.

O altar-mor ostenta um retábulo em talha dourada de estilo nacional, com colunas salomónicas e aplicações de mármore, do final do século XVII. No Trono, numa maquineta, admira-se a venerada imagem, de madeira policromada e tez morena, da Virgem do Leite, com o Menino ao colo. As figuras são coroadas por diademas dourados, obra setecentista, oferecida à igreja por D. João VI. A sagrada imagem está envolta num manto verde bordado a ouro oferta de D. João V à Virgem.
     
A separação da capela-mor do corpo da igreja é feita por uma colunata em pau-santo e alguns belos pilares de embutidos em mármore italiano, trabalho oitocentista. No transepto, em dois altares colaterais, veneram-se, do lado do Evangelho, S. José e do lado da Epístola, Nossa Senhora do Rosário de Fátima.


O cruzeiro é coberto por uma grande cúpula, rematada por um zimbório, obra executada em 1837. O arco mestre é totalmente preenchido com decorações de talha dourada e embutidos, relativos aos principais círios que anualmente aqui se deslocavam, terminando pelo escudo real entre volutas.

No corpo da igreja existem quatro altares em talha dourada de 1756, sendo os da direita dedicados a S. Francisco Bórgia e a S. Joaquim e os da esquerda a Santo António e a Santa Ana.


Nas paredes dos topos do transepto distribuem-se vários painéis de azulejos azuis e brancos, do início do século XVIII, de decoração holandesa, assinados pelo mestre Willem Van der Kloet, retratando episódios do Antigo Testamento (cenas da vida de David e de José do Egipto).

Da mesma época, nas paredes da Sacristia existe um silhar de azulejos azuis e brancos, figurando profetas, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, que executou igualmente parte dos revestimentos azulejares dos corredores e da escada da Tribuna.


A restante decoração de azulejos, nos corredores de acesso à Sacristia, deve-se ao mestre Manuel Borges. Ainda na Sacristia podem ver-se duas tábuas e várias telas de finais de seiscentos, descrevendo a Lenda de N.ª Sra. da Nazaré, do pintor leiriense Luís de Almeida, seguidor da escola de Josefa de Óbidos.

No coro, assente sobre robustas colunas estriadas e de tecto apainelado com ornatos, subsiste um cadeiral procedente do Convento de Cós.


A Igreja e os azulejos que a revestem estão classificados, desde 1978, como IIP (Imóvel de Interesse Público).


A lenda de Nossa Senhora da NazaréA denominação Nossa Senhora da Nazaré atribui-se a uma imagem, talhada em madeira, com cerca de 20 cms de altura, representando a Virgem Maria a amamentar o Menino Jesus sentado no seu colo, sendo venerada no seu Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio da Nazaré, na Nazaré em Portugal.



A imagem é uma Virgem Negra com a cara e as mãos pintadas de cor morena. Não tem costas nem lados da cintura para baixo, o que indicia ter sido esculpida com a intenção de a encaixar numa estrutura em forma de trono.

A história da imagem foi publicada pela primeira vez, em 1609, por Frei Bernardo de Brito, no tomo II, da "Monarquia Lusitana". Este Monge de Alcobaça afirma ter encontrado no cartório do seu mosteiro, uma doação territorial datada de 1182, na qual se relatava a história da imagem da Senhora da Nazaré, sendo esta, uma transcrição de um pergaminho escrito cerca do ano de 714. A imagem, segundo este documento e de acordo com a tradição oral, terá sido venerada nos primeiros tempos do Cristianismo, em Nazaré na Galileia. Daí a sua invocação da Nazaré. Da Galileia terá sido trazida, no século VI, para um convento perto de Mérida, em Espanha, e dali, em 711 para o Sítio da Nazaré onde continua a ser venerada.

A história desta imagem encontra-se indissociavelmente ligada ao milagre a D. Fuas Roupinho, em 1182, episódio a que se convencionou chamar, a Lenda da Nazaré.

Durante a Idade Média apareceram centenas de imagens de Virgens Negras por toda a Europa a maioria das quais, tal como esta, esculpidas em madeira e de pequenas dimensões.

Conta esta Lenda da Nazaré que na manhã de 14 de Setembro de 1182, D. Fuas Roupinho, alcaide do castelo de Porto de Mós, caçava, nas suas terras junto ao litoral, quando avistou um veado, que de imediato começou a perseguir.

De súbito, surgiu um denso nevoeiro que se levantava do mar. O veado (na versão popular, uma materialização do demónio) dirigiu-se para o topo de uma falésia. D. Fuas, no meio do nevoeiro, isolou-se dos seus companheiros.

Quando se deu conta de estar no topo da falésia, à beira do precipício, em perigo de morte, reconheceu o local. Estava mesmo ao lado de uma gruta na qual se venerava uma imagem de nossa Senhora a amamentar o Menino. Rogou então, num grito desesperado, à Virgem Maria: Senhora, Valei-me!. Imediata e milagrosamente o cavalo estacou fincando as patas no bico rochoso suspenso sobre o vazio, o "Bico do Milagre", salvando-se assim o cavaleiro e a sua montada da morte certa que adviria de uma queda de mais de cem metros.


D. Fuas desceu à gruta para agradecer o milagre e de seguida mandou os seus companheiros chamar pedreiros para construirem sobre a gruta, em memória do milagre, uma pequena capela, a Capela da Memória, para ali ser exposta à veneração dos fiéis a milagrosa imagem. D. Fuas permaneceu no sítio do milagre até a obra da capela estar concluída.

Antes de entaiparem a gruta, os pedreiros, desfizeram o altar ali existente e encontraram um cofre em marfim, contendo algumas relíquias e um pergaminho no qual se relatava a história da pequena imagem esculpida em madeira, representando uma Virgem Negra sentada a amamentar o Menino.

Ermida da Memória


Junto ao Miradouro do Suberco, no local onde segundo a lenda N.ª Sra. da Nazaré salvou a vida a D. Fuas Roupinho, em 1182, ergue-se a pequena Ermida mandada construir, em acção de graças, pelo nobre cavaleiro.

De arquitectura singela, era inicialmente aberta em quatro arcos que foram fechados no século XIV. Encimando a porta de entrada, um painel de azulejos com o escudo português. Por cima, ao nível do telhado, coberto de azulejaria, um baixo-relevo em pedra calcária, do século XIV, representa D. Fuas Roupinho na gruta com os seus companheiros, em oração à Senhora. No interior, uma pequena escada dá acesso a uma lapa onde primitivamente estava a imagem da Virgem.


Todo o interior é revestido de painéis de azulejos azuis e brancos dos séculos XVII e XVIII, tendo a abóbada, ao centro, o pelicano, divisa de D. João II. À entrada, de ambos os lados, lápides em mármore contam a lenda do milagre, segundo a versão do cronista cisterciense Frei Bernardo de Brito.

No exterior, na fachada virada ao mar, um registo de azulejos figura o milagre de Nossa Senhora a D. Fuas Roupinho.



Padrão de Vasco da Gama


Em 1939, foi colocado no Sítio, perto do Bico da Memória e da Ermida, um Padrão comemorativo da vinda do Almirante Vasco da Gama à Nazaré.

De acordo com a tradição o bravo navegador, antes de embarcar à descoberta do caminho marítimo para a Índia, veio como peregrino à Senhora da Nazaré. Aqui, invocou a sua protecção e trocou a grossa corrente de ouro que trazia, pelo colar de contas da Virgem. Dizem que à passagem do Cabo das Tormentas se levantou um grande temporal pondo em perigo barcos e homens, então o Almirante atirou o colar da Senhora às águas, que logo se acalmaram.


Após o regresso a Portugal, veio novamente D. Vasco da Gama ao Sítio da Nazaré, como romeiro, agradecer à Virgem as graças recebidas, oferecendo-lhe um precioso manto.


Paço Real


No Sítio, junto ao Santuário de Nª Sra. da Nazaré, foi construído no reinado de D. João V, em 1718, a mando de D. Nuno Álvares Pereira de Mello, 1.º Duque do Cadaval, para alojar a família real e acompanhantes nas suas romarias à Virgem da Nazaré.

Obliterado por reformas sucessivas, conserva na fachada principal uma notável galilé alpendrada assente em colunas clássicas.

Albergou durante muitos anos o Jardim Infantil da Confraria de Nª Sra. da Nazaré.


Miradouro


O lugar mais famoso do Sítio da Nazaré é, sem dúvida, o chamado Miradouro do Suberco,o qual mostra a mais bela vista das vilas portuguesas.

 
Ascensor da Nazaré


A ligação da praia e do Sítio faz-se através do Ascensor da Nazaré, mais conhecido pelas gentes da Nazaré como "Elevador". Este meio de transporte que permite a ligação de duas localidades é visitado anualmente por milhares de pessoas, as quais aproveitam para ver na subida ao Sitio, a magnífica vista panorâmica da praia da Nazaré.


Forte de S. Miguel (Farol da Nazaré)


No extremo do Promontório do Sítio, que cai a pique sobre o mar, mandou D. Sebastião construir, em 1577, a Fortaleza de S. Miguel, destinada a defender a enseada dos ataques dos piratas argelinos, marroquinos e normandos.

Filipe II, cerca de 1600, mandou reconstruir a primeira fortaleza de acordo com a planta do arquitecto florentino João Vicente Casale.


Após a restauração da monarquia, D. João IV ordenou a sua remodelação e ampliação, dando-lhe o traçado que ainda hoje conserva.

É um notável monumento militar maneirista, característico da defesa da costa, com planta longitudinal irregular adaptada ao promontório sobre o qual assenta. Possui um baluarte em cada ângulo, grossas muralhas diversas vezes restauradas, com contrafortes, ameias e frestas, dispondo de uma original Praça de Armas no 2º piso. Por cima da porta de entrada, sob um lintel, uma imagem em baixo-relevo de S. Miguel Arcanjo e a legenda “El-Rey Dom Joam o Quarto – 1644”.


Durante a 1ª Invasão Francesa (Junot – 1807/1808), esteve ocupado por soldados de Napoleão I, que a população do Sítio e da Pederneira ajudou a expulsar, tornando-se assim num símbolo da resistência popular.

Quase todas as manhãs, a neblina dá os bons dias ao Forte São Miguel Arcanjo. O seu carácter defensivo já esmoreceu, mas, o farol aqui instalado desde 1903, continua vigilante, iluminando o caminho dos barcos que teimam em se aproximar demasiadamente da costa. Actualmente, tem um alcance luminoso de 15 milhas, sendo completado por um sinal sonoro de aviso em dias de nevoeiro intenso.

Segue-se-lhe, já isolada, mas bem vizinha deste promontório, a chamada Pedra do Guilhim, designação a lembrar o limite da área, além de Atouguia, concedida por D. Afonso Henriques a Guilherme de Corni.  

Fonte: http://www.cm-nazare.pt/

Fotos: Dias dos Reis