sexta-feira, 5 de março de 2010

Os sarcófagos de D. Pedro e D. Inês de Castro - Mosteiro de Alcobaça



Os túmulos de D. Pedro I (1320-1367), com o cognome "O Terrível" ou também "O Justo", e o de D. Inês de Castro (1320-1355), que se encontram em cada lado do transepto, conferem e atribuem um grande significado e esplendor à igreja.

Os túmulos pertencem a uma das maiores esculturas tumulares da Idade Média. Quando subiu ao trono, D. Pedro I tinha dado ordem de construção destes túmulos para que lá fosse enterrado o seu grande amor, D. Inês de Castro, que tinha sido cruelmente assassinada pelo pai de D. Pedro I, D. Afonso IV (1291-1357).


Este pretendia, também, ser ele próprio ali enterrado após a sua morte. As cenas, pouco elucidativas, representadas nos túmulos, ilustram ou cenas da História de Portugal, ou de origem bíblica ou ainda recorrem simplesmente a fábulas. Por um lado, esta iconografia é bastante extensa, sendo, por outro lado, muito discutível. Ambos os túmulos datam da 1360.


A criação dos túmulos

D. Pedro I casou em 1336, em segundas núpcias, com D. Constança Manuel (1318-1345), uma princesa castelhana. Devido a várias guerras entre Portugal e Castela, D. Constança só chegou a Portugal em 1339. No seu séquito, ela trazia a camareira Inês de Castro, que provinha de uma antiga e poderosa família nobre castelhana.


D. Pedro I apaixonou-se por ela. Em 1345, D. Constança morreu catorze dias após o parto do seu filho sobrevivente, D. Fernando I.

D. Pedro I passou a viver maritalmente e publicamente com D. Inês de Castro, nascendo desta relação três filhos. O pai de D. Pedro I, D Afonso IV, não aceitou esta relação, combatendo-a e, em 1335, condenou D. Inês à morte por alta traição.


Após subir ao trono, D. Pedro I vingou a morte da sua amada (afirmando ter-se casado com ela em segredo no ano de 1354) e decretou que se honrasse D. Inês como rainha de Portugal. Quando em 1361 os sarcófagos estavam prontos, D. Pedro I mandou colocá-los na parte sul do transepto da Igreja de Alcobaça e trasladar os restos mortais de D. Inês de Coimbra para Alcobaça, sob o olhar da maior parte da nobreza e da população.

No seu testamento, D. Pedro I determinou ser enterrado no outro sarcófago de forma a que, quando o casal ressuscitasse no dia do Juízo Final, se olhassem nos olhos (de acordo com as fontes, só existiria o pedido de ser lida diariamente uma missa junto aos seus túmulos).


O túmulo de D. Pedro, com uma decoração detalhada e trabalhada com cenas da vida de S. Bartolomeu, que protegia os gagos, como D. Pedro e o elemento mais importante do túmulo, as duas rodas que representavam a vida e a fortuna e ambas tinham cenas relacionadas com a vida de D. Pedro. Outro símbolo no seu túmulo são os leões que representem a força, neste caso do rei. A sua arca tumular é uma obra-prima gótica, como antes não tinha havido.

O túmulo de D. Inês de Castro, no qual são representadas cenas da sua própria vida incluindo o seu assassinato e cenas da vida de Cristo. Num dos extremos está representado o Juízo Final, quando cada homem se dirige para a eterna morada. A segurar o túmulo em baixo, estão representadas três figuras híbridas que são a alegoria dos assassinos de D. Inês. Mais uma vez, o túmulo é exemplo de uma escultura tumular gótica bastante detalhada, uma obra-prima. Ao lado do seu túmulo existe, agora, um relicário feito por José Aurélio para comemorar os 656 anos após a sua morte.

A sorte dos túmulos

No dia 1 de Agosto de 1569, o rei D. Sebastião I (1554-1578), cujo tio era o cardeal D. Henrique, abade de Alcobaça, mandou abrir os túmulos. De acordo com os relatos de dois monges presentes, enquanto os túmulos eram abertos, o rei recitava textos alusivos ao amor de D. Pedro e de D. Inês. Durante as Invasão Francesa do ano de 1810 os dois túmulos não só foram danificados de forma irreparável, como ainda foram profanados pelos soldados.

O corpo embalsamado de D. Pedro foi retirado do caixão e envolvido num pano de cor púrpura, enquanto a cabeça de D. Inês, que ainda continha cabelo louro, foi atirado para a sala ao lado, para junto dos outros sarcófagos. Os monges reuniram posteriormente os elementos dos túmulos e voltaram a selá-los.

Após o ano de 1810, os túmulos foram sendo colocados em vários sítios da igreja, para voltarem à sua posição inicial no transepto, frente a frente, em 1956. Agora, os túmulos são o destino de muitos apaixonados, que muitas vezes os visitam no dia do seu casamento, para fazerem juras de amor eterno e de fidelidade defronte aos dois túmulos.

Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 3 de março de 2010

Sala dos Túmulos Reais - Mosteiro de Alcobaça


Dentro da igreja encontram-se os túmulos dos reis D. Afonso II (1185-1123; túmulo datado de 1224) e de D. Afonso III (1210-1279).

Os túmulos situam-se dos dois lados da Capela de São Bernardo (contendo a representação da sua morte) no transepto a sul.

Diante destes túmulos, numa sala lateral, a Sala dos Túmulos, posicionam-se oito outros túmulos, nos quais se encontram D. Beatriz, mulher de D. Afonso III e três dos seus filhos.


Um outro sarcófago pertence a D. Urraca, a primeira mulher de D. Afonso II. Não se conhece a história dos outros sarcófagos, estando estes, hoje em dia, vazios após terem sido novamente selados entre 1996 e 2000.

O edifício lateral, onde esses sarcófagos se encontram actualmente, foi reconstruído na sequência dos estragos causados pela grande inundação de 1772. A partir do século XVI, os sarcófagos encontravam-se no transepto a sul e, anteriormente, provavelmente na nave central da igreja.

Fontes: Wikipédia

A Sacristia - Mosteiro de Alcobaça


Pela cabeceira da Igreja faz-se o acesso à Sacristia Joanina, do séc XVIII, através de um espantoso portal manuelino da autoria de João de Castilho, séc XVI, bem como às Capelas das Relíquias e do Senhor dos Passos, ambas em estilo barroco.

A Sacristia medieval de 100 m², que se encontrava no final do lado norte do transepto, foi substituída, no tempo do rei D. Manuel I (1495-1521), por uma sacristia maior de 250 m², do lado sudeste do coro juntamente com um átrio.

Ao mesmo tempo, construiu-se a Capela do Senhor dos Passos. Tanto a sacristia como a capela foram destruídos durante o terramoto de 1755. Na sua reconstrução, conservaram-se os portais manuelinos, que são uns dos poucos elementos de construção deste estilo em Alcobaça. No final da sacristia encontra-se a Capela das Relíquias.

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 2 de março de 2010

Deambulatório - Mosteiro de Alcobaça


O Deambulatório é uma obra complexa. A sua estrutura interior, o presbitério, propriamente dito, articula-se com a nave por intermédio de duas paredes opostas, rectas, marcadas por dois pilares nos extremos e de cada lado; Oito colunas de grande diâmetro e robustez com capitéis de cesto troncocónico côncavo e ornamentação vegetalista muito simplificada, sustentam arcos quebrados muito aperaltados; A abóbada, nervurada e ligeira, parte de meias colunas cuja raiz se situa acima daqueles capitéis.


A parte exterior do Deambulatório é dotada de uma abóbada mais pesada e de acordo com os sistemas mais simples utilizados no restante edifício.

Fonte: Wikipédia

Igreja do Mosteiro de Alcobaça


A Igreja do Mosteiro é constituída por uma nave central, duas naves laterais, e um transepto, criando a imagem de uma cruz.

É discutível se a Igreja foi construída, em relação ao altar, ao deambulatório e ao transepto, na forma actual ou se se desviou de forma semelhante àquela desenvolvida no mesmo período por Claraval, tendo um transepto mais curto e sem deambulatório.


Todas as naves têm 20m de altura. A sala do altar é limitada a oriente por um caminho com nove capelas radiais. As outras quatro capelas vão dar, pelos dois lados, ao transepto.

O comprimento total é de 106 m, a largura média é de 22 m e a largura do transepto é de 52 m. Desta forma, esta Igreja é uma das maiores abadias que os cistercienses construíram na Europa, tendo outrora, tido apenas a Abadia de Vaucelles, com 132 m, de maior dimensão, que hoje já não existente.


Apesar de a Abadia de Pontigny, que se localizava igualmente em França, ter com os seus 108 m, dois metros a mais, ela tinha um transepto mais estreito.

A igreja da Abadia de Claraval, que hoje já não existe e que servia de modelo à parte medieval do Mosteiro, tinha o mesmo tamanho. A arquitectura da igreja de Alcobaça é um reflexo da regra beneditina da procura da modéstia, da humildade, do isolamento do mundo e do serviço a Deus.


Os cistercienses partilhavam estas ideias, ornamentando e construindo a estrutura das suas igrejas de forma simples e poupada. Apesar da sua enorme dimensão, o edifício apenas sobressai através dos seus elementos de estrutura necessárias que se dirigem ao céu.

Esta impressão foi restabelecida através da restauração efectuada em 1930. Neste mesmo ano ficou decidida a reconstrução nos moldes da época medieval, eliminando-se muitas construções que foram surgindo ao longo dos séculos. Infelizmente, também se eliminou um órgão. Por conseguinte, as pedras à base de calcário, que constituem o muro, ficaram visíveis, contendo muitas os símbolos do entalhador. Por isso, sabe-se que o seu trabalho era remunerado. As cadeiras do coro, originárias do século XVI, arderam em 1810, durante as Invasões Francesas.


A fachada principal do Mosteiro a ocidente foi alterada entre 1702 e 1725 com elementos do estilo barroco. Desde aí, a fachada da igreja é ladeada, em direcção à praça, por alas de dois andares com um comprimento de 100 m cada.

A própria igreja adquiriu dois campanários barrocos e possui uma fachada de 43 m, ornamentada por várias estatuetas. A escadaria da entrada, com as suas decorações barrocas, data, igualmente, deste tempo.


Da fachada antiga apenas restam o portal gótico e a rosácea. É difícil conhecer-se o aspecto da fachada original, pois foi destruída em 1531. Provavelmente, a igreja não possuiria campanários, correspondendo, deste modo, ao ideal cisterciense da simplicidade.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Alcobaça - Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça

Neste primeiro Roteiro de Estudo, propõe-se apenas a visita ao Real Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, deixando-se os restantes monumentos da cidade para outra visita, integrada num dos outros Roteiros de Estudo a realizar.

Sendo uma das primeiras fundações monásticas cistercienses em território português, o Mosteiro de Alcobaça tornou-se a principal casa desta Ordem religiosa, graças a uma continuada política de protecção régia, iniciada pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

As dependências medievais bastante bem conservadas, fazem do Mosteiro de Alcobaça um conjunto único no mundo, a que acrescem as edificações posteriores, dos séculos XVI a XVIII, como importante testemunho da evolução da arquitectura portuguesa.

A Abadia fundada em 1153, por doação de D. Afonso Henriques a Bernardo de Claraval, só começou a ser construída em 1178.
 
Do conjunto monástico fazem parte a Igreja com planta em cruz latina, e três claustros seguidos, de dois andares. Recentemente foi descoberta a existência de um quarto claustro que terá sido destruído aquando o grande terramoto de 1755.

A Igreja, iniciada como era prática corrente pela cabeceira, com três naves à mesma altura, o transepto de duas naves e o deambulatório, formam um conjunto que impressiona pela simplicidade, grandeza e austeridade.
 
É a maior e a primeira grande obra do gótico primitivo português, depois substancialmente alargada e enriquecida com as sucessivas doações reais. Em 1308, D. Dinis faz construir o Claustro do Silêncio, acrescentado de um piso já no reinado de D. Manuel, que mandou também construir a chamada Sacristia Manuelina, obras encomendadas ao arquitecto João de Castilho.
 
A partir do Abade Comendatário Cardeal D. Henrique, começaram as grandes alterações espaciais no Mosteiro, com a construção do Palácio Abacial no extremo Norte da Ala Norte e do Claustro do Cardeal, seguindo-se, no séc. XVII, a Hospedaria, a primitiva Sala dos Reis, com estátuas de todos os reis portugueses até D. José, e o Noviciado.
De grande destaque é o Deambulatório, a Sala do Capítulo, a Sacristia, a Capela das Relíquias, o Parlatório, o Dormitório, a Sala dos Monges. Notável também é o Relicário e o Altar da Morte de S. Bernardo dos finais do séc. XVII, em terracota, assim como a grande Cozinha do séc. XVIII, (Cozinha Velha e Nova), o Refeitório e o Lavatório.
 
A Sala dos Túmulos, em neo-gótico, guarda os túmulos de várias rainhas e príncipes, entre os quais os túmulos de D. Afonso II (1185-1123) e D. Afonso III (1210-1279) . No transepto da Igreja de Santa Maria, encontram-se duas das mais belas obras da arquitectura tumular do séc. XIV, os famosos túmulos de D Pedro e D. Inês de Castro, daquela que é considerada uma das mais trágicas histórias de amor de Portugal.
 

O príncipe D. Pedro (1320-1367), casado com D. Constança Manuel, perde-se de amores por uma das aias de sua mulher, a castelhana Inês de Castro. Após a morte de D. Constança, o rei assume publicamente o seu amor por D. Inês de Castro, passando a viver maritalmente com esta, nascendo desta relação três filhos. A relação foi condenada pelo pai de D. Pedro, o rei D. Afonso IV, condenando à morte, em 1335, D. Inês, por alegada traição ao reino.

Após subir ao trono D. Pedro I levou a cabo a missão de vingança, condenando com violência todos os culpados e envolvidos na morte da sua amada, declarando D. Inês como rainha de Portugal, sendo coroada depois de morta. 

D. Pedro ordenou a construção do seu túmulo e da sua amada, transladando os restos mortais de D. Inês para o Mosteiro de Alcobaça, constituindo hoje uma das maiores esculturas tumulares da Idade Média no País.

O Rei determinou no seu testamento que, aquando a sua morte, os túmulos deveriam ser colocados de modo a que no dia do juízo final, quando os dois apaixonados ressuscitassem, se olhassem olhos nos olhos.

Hoje em dia estes túmulos são visitados por muitos apaixonados, muitos no próprio dia do casamento, dizendo-se que quem jura fidelidade a este amor, vê a eternidade do seu próprio.

Fonte: http://www.guiadacidade.pt/ / alcobaca.no.sapo.pt