terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Capuchos - Monumentos a visitar

Convento de Santa Maria Madalena 


Convento dos Capuchos ou de Santa Maria Madalena que já esteve em ruínas, encontra-se hoje totalmente recuperado. Fica no lugar do Bárrio da Figueira e nele pode salientar-se a existência de um tanque perto da Igreja, resto de um gracioso jardim que aí terá existido.

Por trás do Parque de Merendas, fica o antigo Convento que deu nome ao lugar e que foi fundado pelo cardeal D. Henrique em 1566. Perto do convento havia instalações agrícolas que provavelmente datam do séc. XIII e estavam ligadas a uma quinta que o Mosteiro explorou nessa época.


O Convento dos Capuchos deixou de ser frequentado, provavelmente aquando das revoluções liberais. Depois da saída dos frades, o convento foi-se degradando e perdendo muito do seu recheio valioso.

O seu espólio foi em parte levado pelos frades. Depois os populares também o assaltaram e com o próprio tempo e o abandono, veio a degradação do convento. Esteve durante muito tempo em ruínas, mas hoje o que restou dele encontra-se recuperado.


Capela da Senhora dos Aflitos

 
De Arquitectura Franciscana, que se caracteriza logo à entrada com galilé interior, à maneira capucha, antecedida por três arcos e um grande janelão de coro na fachada e tímpano curvo no qual se abre um nicho, em cujo interior tem uma imagem de Jesus morto na cruz, razão pela qual o povo baptizou esta capela de Igreja do Senhor dos Aflitos.

 
Das construções religiosas, só resta esta Capela, que tem sobre a porta um brasão bipartido com estrelas em aspa e um leão rompante. Por timbre tem um leão virado á esquerda. Conservava restos de azulejos da fábrica do juncal, que infelizmente com o passar dos tempos desapareceram. Actualmente só resta na capela, o átrio forrado de azulejos.
 
No pavimento está a placa sombria de João Leitão, cavaleiro digno da Casa de Sua Majestade e de sua mulher Maria de Macedo, morgados de Chiqueda e que foram em tempos proprietários do lugar. O brasão, talvez se refira á família Macedo, possuindo 5 estrelas de oiro em campo azul.



Arco da Memória



No cimo da Serra dos Candeeiros existe um arco de volta perfeita que foi construído pelos frades de Alcobaça para, assinalar as divisões administrativas dos seus coutos. Segundo alguns autores, o arco data do século XVI e serviu como artimanha para os frades de Alcobaça aumentarem os limites das suas terras.

Esse arco veio a ficar conhecido por Arco da Memória e está localizado no limite dos Concelhos de Alcobaça e Porto de Mós, mais precisamente, numa sub-área da freguesia do Arrimal chamada Memória. Quem pretender visitar o Arco deve fazê-lo a partir do Arrimal, visto o caminho se encontrar em melhor estado.

O Arco tem 4 metros de altura, 3,62 metros de largura e tem 103 cm de espessura e está situado num pequeno largo de terra batida rodeado de mato e arvoredo. O fascínio deste arco advém, não só pelo facto de ter sido um marco territorial dos Coutos de Alcobaça, mas também por estar associado a um imaginário que o liga com as conquistas de D. Afonso Henriques.


Sem que se possa precisar o ano da sua construção, esta não deverá ultrapassar os fins do século XVI ou os princípios do século XVII. Foi mandado restaurar por D. Miguel, como consta de uma inscrição, que diz: “O muito alto e poderoso rei D. Miguel me mandou restaurar…”.
 
Comemora o local do voto de D. Afonso Henriques e relaciona-se com a lenda da fundação do Mosteiro de Alcobaça, que está contada nos painéis de azulejo da Sala dos Reis da Abadia de Alcobaça.

Segundo esta lenda, D. Afonso Henriques, quando ia a caminho da conquista de Santarém, em 1147, jurou, do alto da Serra de Albardos (Serra dos Candeeiros), que caso conseguisse expulsar os mouros das muralhas do Castelo de Santarém, que doaria a Bernardo de Claraval, todos aos terrenos avistados na direcção do mar. Essas áreas foram, portanto, os dotes concedidos por Afonso Henriques a Bernardo de Claraval, abade pertencente à Ordem de Cister e vieram a tornar-se nos Coutos de Alcobaça. O lugar onde o rei fez esse juramento, é onde hoje, se encontra o Arco da Memória.

Trabalho elaborado por: Sara Cristina Nazaré Serrazina, nº 23, Grupo 2.

Fonte: Furtado Marques, Maria Zulmira Albuquerque; “Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; Alcobaça, 1994 / http://oslugaresdoescritor.blogs.sapo.pt/3017.html

Capuchos - sua História


Saindo de Alcobaça em direcção ao interior serrano, ou partindo de Évora de Alcobaça, na direcção de Alcobaça, pela E.N. nº 8-6, encontramos o lugar dos Capuchos, assim chamado por aí ter existido um convento de frades capuchos.

O lugar dos Capuchos, pertence à freguesia de Évora de Alcobaça, ficando a cerca de 3Km desta localidade, onde existe um antigo convento fundado pelo Cardeal D. Henrique em 1566.

Este pequeno convento pertenceu aos frades capuchos que constituem um ramo da Ordem dos Franciscanos. Estes frades tiveram em vista restaurar a Ordem dos Franciscanos, com todo o seu primitivo rigor. Eram pobres e mendicantes.


O convento tinha uma particular ligação ao Mosteiro de Alcobaça e este fornecia-lhe o azeite e a cera para manter a igreja.

Existe também junto á Capela da Senhora dos Aflitos um tanque, resto de um bonito jardim pertencente ao convento. Ainda existiam instalações agrícolas nas proximidades, que provavelmente datam do século XIII e, que segundo se julga, tinham ligações com uma Quinta que o mosteiro explorava naquele local.

Fonte: Furtado Marques, Maria Zulmira Albuquerque; “Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; Alcobaça, 1994

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Évora de Alcobaça - Monumentos a visitar

Igrela Paroquial de S. Tiago o Velho


Templo gótico, reformado no séc. XVI, é dedicado a Sant’Iago Velho. Na fachada principal, com empena de bico, rasga-se um portal manuelino de arco abatido com decoração vegetalista, esfera armilar, cruz de Cristo e armas reais.

Na fachada sul abre-se uma porta manuelina de verga quebrada, coroada pela cruz de Cristo. Ainda na fachada sul há um interessante baixo-relevo transbordante de simbolismo, provavelmente do séc. XV, representando um cavaleiro de S. Tiago, um sol radiado, uma estrela e uma meia-lua.


No seu interior, a Igreja Matriz de Évora apresenta uma nave coberta por madeira com capela-mor em abóbada de berço, coberto a estuque. Duas capelas laterais recriam um espaço de transepto. A pia baptismal de base octogonal é uma peça de escultura manuelina decorada com encordoados e boleados e de onde sobressai uma cinta com enormes rosetas.


Capela da Mesericórdia


A Capela da Misericórdia ou do Senhor dos Passos, é uma capela manuelina, de pequenas dimensões, com planta longitudinal e uma só nave, com portal axial. Apresenta dois portais, um na fachada principal e outro do lado sul, sendo o primeiro manuelino.


A provável época de construção do templo, é o séc. XVI, mas mais tarde recebeu alguns elementos em estilo renascentista, no séc. XIX, com a feitura do retábulo-mor. A sua imagem do Senhor dos Passos, foi provavelmente trazida do Brasil.


Tem como características particulares, uma acentuada discrepância entre os volumes exteriores, com o corpo da capela-mor bem acentuado e interior com o altar-mor rasgado na espessura do arco triunfal. O portal, juntamente com o da Matriz de Vestiaria, é considerado como o que de melhor foi feito em portais exteriores na região dos Coutos a partir do Séc. XVI.

Fonte: Lurdes Perdigão, in http://www.monumentos.pt/Monumentos/forms/002_B1.aspx 


Cruzeiro I



O Cruzeiro de Évora de Alcobaça, tem um enquadramento urbano, situa-se no adro da Igreja. E de arquitectura religiosa com a utilização inicial devocional.

A base assenta sobre plataforma quadrangular com inscrições latinas de 4 faces. Coluna monolítica de fuste octogonal, com motivos vegetalistas na zona inferior; capitel em pirâmide quadrangular truncada, sobrepujado por cruz latina.


Cruzeiro II


Num enquadramento rural, localiza-se junto a uma estrada secundária com casario nas proximidades. Arquitectura religiosa, teve como utilização inicial o culto. É um cruzeiro de caminho.

Tem soco quadrangular, escalonado em dois degraus sobre enrocamento, base cúbica; coluna de fuste octogonal, possuindo na zona inferior dois anéis circulares; cruz latina espinhosa.

Trabalho elaborado por: Adriana Filipa Coelho Ferreira, nº 1.

Fonte: Monumentos de Évora de Alcobaça.mht

Fotos: Dias dos Reis

Évora de Alcobaça - sua História


Antiquíssima vila dos Coutos de Alcobaça, tem o seu passado de Évora de Alcobaça estará sempre ligado à Ordem de Cister, cujos abades fundaram o Mosteiro de Alcobaça, exercendo a partir daí jurisdição sob uma vasta área em seu redor.

Esta freguesia era uma das muitas que faziam parte dos Coutos de Alcobaça, pelo que, durante muito tempo, foi conhecida como Évora Couto. Foi vila e sede de concelho entre 1332 e o início do século XIX. Évora recebeu foral de Abade D. Martinho em 1332, renovado por D. Manuel I em 1 de Outubro de 1514.

Embora seja uma freguesia de que historicamente menos se conhece, Évora de Alcobaça, possui no entanto várias versões em relação à sua origem.

Uma dessas versões diz-nos que a origem de Évora de Alcobaça advém dos “Eburon”, povo que viveu na Península Ibérica, ou nos povos árabes, que no séc. VIII demandaram terras lusitanas. Outra versão, diz que a palavra Évora, é corrupção de “evra” (erva), que o Cardeal D. Henrique mandava buscar à povoação para os seus cavalos. Uma terceira versão, conta-nos que a povoação já existia, sob o domínio romano com o nome de Eburóbriga. Esta talvez seja a versão, que mais se aproxima da verdade.

Mais tarde os Frades da Ordem de Cister viriam a desenvolver extraordinariamente, toda a área de que eram donatários. Assim, a freguesia teve, nesta altura, uma Misericórdia, uma Companhia de Ordenanças com um capitão e as respectivas autoridades de justiça. O Pelourinho que aí existia e que simbolizava essa mesma justiça foi retirado em 1875 por vontade da população e encontra-se hoje no Museu do Carmo, em Lisboa.

Trabalho elaborado por: Adriana Filipa Coelho Ferreira, nº 1.
 
Fonte: Wikipédia

Casal de Vale de Ventos - História e Monumentos


Os monges cistercienses, que o Engº Joaquim Vieira Natividade inteligentemente baptizou de monges agrónomos, administraram com sapiência os territórios que lhes foram confiados. Para além das terras que entregavam aos povoadores a troco de um foro, criaram inúmeras granjas (a área de reserva da Abadia) que com as suas próprias mãos cuidaram e amanharam.

Cada granja era um microcosmo cultural, com a sua vinha, os pomares de espinho, caroço e pevide, o olival, as terras de pão e um conjunto de meios de produção/transformação como lagares de azeite e vinho, fornos de cal, pisões, moinhos, entre outros engenhos.

No lugar de Vale de Ventos, localizado na freguesia de Turquel, existe ainda uma propriedade agrícola, a Quinta de Vale de Ventos, que é um imóvel muito antigo, em vias de classificação pelo IPPAR. Constituiu outrora um couto agrícola dos Frades de Cister, conservando ainda vestígios deste seu passado, como é o caso de dois grandes reservatórios de água, em pedra, que abasteceriam a herdade.

A Quinta de Val Ventos (século XVIII), como era outrora chamada, é uma das granjas mais modernas na longa história de vida dos Coutos de Alcobaça. Nesta granja mandam os cistercienses plantar o mais extenso olival dos coutos que, segundo a avaliação dos louvados (1834), possuía 60.000 pés de árvore dispostas numa matriz geométrica, cujo compasso mandava a distância de nove metros entre árvores contra dezassete metros de fileira a fileira.

Para arrecadar a produção deste magnífico olival, que em anos de safra generosa alcançava as 70 pipas, no fresco rés-do-chão do celeiro dispunha-se o armazém de azeite com as suas 23 pias (actualmente só restam 19), com a capacidade estimada de 166 pipas (assim se podia almudar o azeite proveniente do quinto da azeitona e do dízimo da maquia).

Destaca-se ainda nesta Quinta, as Obras, nome porque ficaram conhecidos os gigantescos reservatórios de armazenamento das águas pluviais, a Pia da Serra que abastecia de água os pomares de limas e laranjeiras doces assentes na encosta, a extensa eira quadrangular para debulhar os milhos e leguminosas secas que se cultivavam num ciclo de três em três anos nas terras de olival e o pombal (já para não falar do complexo habitacional e Igreja).

No ano de 1765 edifica-se nesta granja o maior colmeal dos Coutos. Situado numa encosta virada a nascente, os covões de abelhas instalavam-se em patamares servidos por uma escadaria lateral. O muro apiário com 2 metros de altura cercava uma superfície com 20 metros de largura por 20 metros de comprimento. O murado abrigava os cortiços e colmeias dos ventos gélidos, servia de barreira a fogos e protegia do ataque de texugos e doninhas, entre outros animais, responsáveis por estragos consideráveis nos enxames. Para manter os enxames saudáveis durante o Inverno, depositavam junto aos cortiços tigelas com castanhas piladas cozidas. As artes da cresta realizavam-se no mês de Junho, mas quando convinha reforçar a enxameação a cresta era bienal.

Graças a esta actividade abundava o mel de tão grande utilidade no receituário de doces e também noutros pratos requintados, nas bebidas fermentadas, na arte terapêutica… O mel da Serra (mel de alecrim) era mesmo considerado o mais claro que se produzia em Portugal.

Tendo sido uma das grandes granjas dos Monges de Cister, após o abandono devido à extinção das ordens religiosas em Portugal. Passou depois a ser propriedade do Marquês de Rio Maior e mais tarde, viria a pertencer ao Conde de Azinhaga.

Devido à sua localização nas faldas da Serra dos Candeeiros e com uma enorme área, quase tudo ali se produzia e transaccionava, criando, assim, muitos postos de trabalho, para além dos trabalhadores sazonais que vinham de longínquas terras. Trabalhavam permanentemente cerca de 20 homens nos serviços agrícolas, e cerca de 15 mulheres. Havia outras pessoas que ali residiam para uma melhor assistência aos numerosos animais de trabalho e transporte, assim como para diversos serviços domésticos.

Na Quinta de Vale de Ventos tudo se fazia duma maneira autónoma: existia a habitação com uma capela anexa, dedicada a Nossa Senhora, várias arrecadações, uma abegoaria (conjunto das alfaias de uma propriedade agrícola), uma oficina de carpintaria, um lagar de azeite, uma eira, depósitos para armazenagem de águas pluviais, fornos de cal, cortiços para abelhas, etc..

Dotada de um grande olival, era necessário recorrer a outro pessoal, aquando da sua colheita. A azeitona colhida era moída no lagar, movido por uma vara comprida, que era puxada por um boi em volta do engenho. As galgas (mós) trituravam a azeitona, sendo depois a massa colocada em ceiras, que eram comprimidas nas 4 prensas existentes através de 4 grandes pesos de pedra, colocados nas suas varas. Os lagareiros executavam as tarefas relativas à saída do azeite, o melhor que lhes fosse possível, pois daí dependia a sua boa qualidade. O azeite saía para as tarefas de chapa, sendo depois armazenado em pias (vasilhas de pedra) até ser vendido. A produção da azeitona era cerca de 160 carradas.

O mel mais claro do nosso País era ali produzido. Existia uma grande quantidade de abelhas colocadas em 400 cortiços, cuja produção atingia 12 almudes por ano. Os cortiços eram ali fabricados pelo pessoal assalariado, visto que existia muita cortiça. Este serviço era feito à sombra de uma oliveira que estava próxima. No local do colmeal foi mais tarde plantado um eucaliptal.

Devido à existência de um grande reservatório de águas pluviais (Obras), era possível proceder à rega dos diversos produtos hortícolas, utilizados na alimentação dos residentes da Quinta. Havia outro reservatório mais pequeno para captação de águas utilizadas na confecção de alimentos.

Como a Granja tem uma grande área e muito mato, existia um grande rebanho de ovelhas e cabras com o seu ovelheiro. Para os trabalhos de remoção de terras, havia sempre 3 juntas de bois com o seu abegão. Para o transporte das pessoas, havia cavalos, mulas e burros.

Devido à grande produção da Quinta de Vale de Ventos, faziam-se as mais diversas transacções comerciais: gado, azeite, mel, milho, trigo, lã, peles, legumes, lenha e mato. Vinham compradores dos mais diversos pontos do País.

Fonte: Texto sedido pelo Prof. Dr. António Maduro, para o site: http://adepartroteiro.blogspot.com/ / elementos em arquivo acerca da Quinta de Vale de Ventos,  fornecidos no ano de 2000 pelo Dr.Joaquim Guerra ali nascido em 1911.

Turquel - Grutas


Perto de Turquel existem várias grutas pré-históricas, como a "Casa da Moira", "Cova da Ladra", "Algar de Estreito", "Algar de João Ramos" e "Buraco de Moniz", e ainda sepulturas da idade do bronze e antas. De todos estes lugares escolhemos dois que pela sua importância devem ser referidos como locais a visitar.

Estas grutas e algares próximos de Turquel, deram origem ao longo dos tempos, a idílicas lendas mouriscas, apesar de não subsistirem vestígios reais da presença mourisca, muito embora se saiba que a estes se devem a introdução de técnicas na região, como as de extracção do azeite, do regadio, da moagem, etc..

Como sempre, estas lendas podem assumir diversas formas e existe um grande número de lendas, e versões da mesma lenda, como resultado de séculos de tradição oral. Surgem como guardiãs dos locais de passagem para o interior da terra, os locais "limite", onde se acreditava que o sobrenatural podia manifestar-se. Aparecem junto de nascentes, fontes, pontes, rios, poços, cavernas, antigas construções, velhos castelos ou tesouros escondidos.



Casa da Moira



É uma famosa gruta, situada num outeiro, adjacente à Serra dos Candeeiros, ao qual dão o nome de Cabeço de Turquel. Distancia-se três quilómetros da vila, para leste.

A entrada da gruta é uma estreita fenda aberta no rochedo. Ao fim de alguns metros por entre apertadas paredes, com a forma de um corredor, com bastante declive, há uma espaçosa “sala”, que apresenta de forma original e de curioso aspecto da sua decoração baseada em estalagmites e estalactites, exibindo as mais variadas e caprichosas formas, o que dá a entre recinto a aparência de um templo gótico.

Daqui parte uma galeria, cujo o solo vai gradualmente subindo, e cujas paredes e tectos são também ornamentados por belas colunas.

No extremo desta galeria, houve antigamente uma abertura, que dava comunicação com o exterior.

O conhecido arqueólogo Sr. Joaquim Possidónio Narciso da Silva veio em 1869 observar esta gruta, mandando então prosseguir com escavações, descobrindo diversas camadas de cinzas e ossos. O Sr. Possidónio julga ter servido de necrópole aos povos primitivos.

Estação arqueológica do Paleolítico

Tipo de Estrutura – Gruta natural

Lugar – Charneca do Rio Seco

Localização Geográfica – Carta Militar Portuguesa, escala 1:25 000, 327 Turquel ( Alcobaça), Altitude aproximada 240 m.

Geomorfologia – Gruta aberta no calcário Jurássico superior na vertente NO do Cabeço de Turquel. Zona florestal.

Escavações:

(1869) – Escavações de Joaquim Possidónio da Silva.

(1881) – Escavações de Carlos Ribeiro.


Algar de João Ramos


A Gruta assim denominada abre-se no pendor oriental de uma elevação entre as Redondas e o Covão do Milho.

Esta Gruta tem um acesso que só é possível na vertical, prolonga-se num plano rapidamente inclinado de mais de trinta metros de extensão. No seu lado direito desemboca uma galeria muito sinuosa.

Foi explorada nos finais do século XIX pelo Sr. Manuel Vieira Natividade. Considerado por ele, como a mais notável gruta e a considerou uma estação típica do período do cobre.

Nesta gruta foi encontrado os seguintes instrumentos de cobre: um punhal, dois machados, duas pontas de lança, duas pontas de flechas, além destes objectos do período do cobre, foi também encontrados duas facas de sílex, dois machados, e três placas de xisto (em cada uma destas havia dois furos), oito vasos de barro, um botão de osso, etc.


Estação arqueológica do Paleolítico

Tipo de Estrutura – Gruta natural

Classificação cronológica – Paleolítico médio/superior 

Lugar – Covão do Milho (Redondas).

Localização Geográfica – Carta Militar Portuguesa, escala 1:25 000, 327 Turquel ( Alcobaça), Altitude aproximada 190 m.

Geomorfologia – Gruta aberta no Calcário Jurássico, na base da encosta ocidental da serra dos candeeiros. Zona agrícola.

Escavações:

- 1890 – Escavações de Manuel Vieira Natividade.

- Escavações dos Serviços Geológicos de Portugal.

Fonte: www.Turquel.com

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Turquel - Monumentos a visitar

Pelourinho Manuelino


Pelourinho de Turquel encontra-se no centro da vila histórica de Turquel. É um pelourinho manuelino, datado do séc. XVI. 

A sua existência tem sido atribulada. Em 1874, havia sido levado para o Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa. Em 23 de Maio de 1950, foi solenemente reposto no local de onde há quatro décadas havia sido retirado. Para o efeito foram-lhe adicionados  três degraus circulares, de rebordo saliente, que não existiam no seu anterior lugar de ocupação. No dia 23 de Agosto de 1979, o pelourinho foi derrubado por um camião.

O monumento é composto por quatro partes: plinto, fuste, capitel, e remate. O fuste assenta no plinto formado por três degraus circulares e é dividido ao meio por um anelete que une as duas partes e é decorado nos extremos por bolas.

A coluna estilizada é decorada com florões quadrifoliados. O remate assenta sobre um capitel quadricular com quatro florões que se desenvolvem das arestas verticais até cada meio de duas faces. O remate em forma de pinha, apresenta numa das faces em alto relevo, uma figura humana que, segundo Possidónio da Silva, refere-a como sendo a do Abade de Alcobaça. Mas, segundo José Diogo Ribeiro, trata-se de Santa Bárbara, pois era assim denominada Nossa Senhora da Conceição pelos residentes de Turquel nos anos anteriores a 1920.

O Pelourinho foi classificado pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público desde 1933.


Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição


Mandada erguer pelo Cardeal Infante D. Henrique em 1520, tornou-se independente da Matriz de Aljubarrota em 1565, dependência que durou 269 anos, com início em 1296 com a demarcação das Igrejas dos Coutos.

Nela há a salientar o portal manuelino em arco abatido sobreposto por apêndices decorativos: folhas retorcidas, animais quiméricos, etc. Sobre o fecho avultam as armas do Cardeal Infante.

Foi construída em 1520, por iniciativa da população local, com autorização do Cardeal Infante D.Henrique, como ermida dedicada a Nª Senhora da Conceição, dependendo da paróquia de Aljubarrota. Só em 23 de Julho de 1565, foi designada Igreja Matriz da paróquia de Turquel. Ainda hoje, mantém, sobre o seu pórtico principal, as armas do Cardeal Infante, que a mandara ampliar.

Foi novamente alargada por ordem do Mosteiro de Alcobaça, na época do domínio espanhol. Em 1709, sofre desmoronamento e as cerimónias litúrgicas passaram a ser celebradas na Igreja da Misericórdia. As obras de reconstrução foram desde 1720 a 1733.

No entanto, também no domingo de Páscoa de 1747, o coro da igreja caiu, tendo havido vítimas, pelo que foram necessárias mais uma vez, algumas obras.


Em 1915, iniciaram-se novas obras que duraram até 1923, onde houve uma grande remodelação dos soalhos, dos estuques, ampliação do coro, e modificação de altares.

Em 1950, foi necessário reparar a sacristia e a parte Nascente da Igreja e foi então alterada a parede da capela-mor, da sua talha dourada para o aspecto que ainda hoje mantém, sob a orientação do arqº Korrodi.

Em 12 de Outubro de 1998, foram iniciadas as últimas obras de restauro e ampliação e construção de anexos, incluindo a casa mortuária, vindo a terminar nos finais de 1999.

Como tem sido alvo de sucessivas obras, foi ficando sem o seu aspecto original. Neste momento, a Igreja Matriz tem uma nave principal e outra lateral, tendo esta sido proveniente duma dependência da igreja, eliminando-se a parede contígua.

Foi construído o seu altar, em pedra da região, fora da capela-mor, para as celebrações litúrgicas. Foi retirado o seu púlpito que estava colocado na parede do lado esquerdo. A pia baptismal em forma de cálice octogonal com escultura decorativa, foi transferida do seu recinto para junto do altar. O coro tem também acesso pelo interior da igreja e ficou com uma forma de anfiteatro.

A capacidade da igreja é de cerca de 4 centenas de pessoas.


Capela do Senhor Jesus do Hospital


A Capela do Senhor Jesus do Hospital foi fundada em 3 de Maio de 1762 junto do Hospital da antiga Misericórdia, que sempre a administrou. Mais tarde, em 1870, foi reconstruída e ampliada por iniciativa e diligências de José Joaquim Madeira.

É um modesto templo setecentista que mantém no frontão da fachada azulejos alusivos à Santa Verónica.

Acerca da sua fundação existe uma lenda extremamente interessante.

A primitiva imagem do Senhor do Hospital, foi delineada na parede de um dos aposentos do hospital da Misericórdia desta vila por um peregrino que ali se albergou no ano de 1742.


O Altar-mor da Capela do Senhor Jesus do Hospital

O seu retábulo é primitivo com a adjunção de novas peças, para possibilitar um maior espaço na nova capela, destaca-se uma bem esculpida imagem de Jesus Crucificado, que foi adquirido em 1768, dum lado está S. Francisco de Assis e do outro está um imagem da Virgem e, sob a banqueta, a do Senhor Morto.

Os outros dois altares são respectivamente dedicados aos Senhor do Hospital e a Santa Maria Madalena.

Parte dos azulejos da capela do hospital, isto é, os que se vêem entre o arco cruzeiro e os altares laterais, e os que ladeiam a porta principal, junto às pias da água benta, pertenceram à capela da Quinta da Granja.


Capela de Santo António


A Capela de Santo António é muito antiga, mas pequena e simples. È precedida de um alpendre e de cada lado da porta tem uma janela gradeada. No seu interior existe um retábulo apainelado, no meio do qual existe uma imagem de Santo António. Esta capela situa-se na Rua José Diogo Ribeiro, (antiga Rua do Carril).


O edifício actual não corresponde ao original, porque foi restaurado pelo pároco, Pedro Vicente Ribeiro, com a contribuição dos fiéis. Foi construído um novo altar e retábulo, sendo também acrescentada uma imagem nova de Santo António, mandada esculpir em Braga.


O arco e a divisão ou “capela do fundo” foram construídos em 1844, ligando a capela a uma dependência que estava separada. A sacristia foi ampliada em 1859, graças a um donativo de Jacinto Heliodoro de Oliveira.

Como esta capela se foi degradando, foi restaurada por iniciativa do professor José Diogo Ribeiro, no início do sec. XX.
A garrida que então ali se colocou na respectiva sineira pertencera ao paço (casa da câmara) desta vila; constitui, portanto, uma apreciável memória da antiga municipalidade turquelense.” (In “Memórias de Turquel” de José Diogo Ribeiro, Lisboa, 1908, pag. 134).



Capela da Senhora da Serra


Situada nas faldas da Serra dos Candeeiros, é uma construção abobadada, sólida e elegante. Apresenta um frontão triangular com óculo e em cima deste uma cruz. Lateralmente ostenta dos pináculos. Foi profanada e foi no principio do século mandada purificar e restituir ao culto.

Trabalho elaborado por: Sara Cristina Nazaré Serrazina, nº23 (Grupo2).

Fonte: Blog da Associação para a Defesa do Património de Turquel / www.turquel.com