quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Turquel - Monumentos a visitar

Pelourinho Manuelino


Pelourinho de Turquel encontra-se no centro da vila histórica de Turquel. É um pelourinho manuelino, datado do séc. XVI. 

A sua existência tem sido atribulada. Em 1874, havia sido levado para o Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa. Em 23 de Maio de 1950, foi solenemente reposto no local de onde há quatro décadas havia sido retirado. Para o efeito foram-lhe adicionados  três degraus circulares, de rebordo saliente, que não existiam no seu anterior lugar de ocupação. No dia 23 de Agosto de 1979, o pelourinho foi derrubado por um camião.

O monumento é composto por quatro partes: plinto, fuste, capitel, e remate. O fuste assenta no plinto formado por três degraus circulares e é dividido ao meio por um anelete que une as duas partes e é decorado nos extremos por bolas.

A coluna estilizada é decorada com florões quadrifoliados. O remate assenta sobre um capitel quadricular com quatro florões que se desenvolvem das arestas verticais até cada meio de duas faces. O remate em forma de pinha, apresenta numa das faces em alto relevo, uma figura humana que, segundo Possidónio da Silva, refere-a como sendo a do Abade de Alcobaça. Mas, segundo José Diogo Ribeiro, trata-se de Santa Bárbara, pois era assim denominada Nossa Senhora da Conceição pelos residentes de Turquel nos anos anteriores a 1920.

O Pelourinho foi classificado pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público desde 1933.


Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição


Mandada erguer pelo Cardeal Infante D. Henrique em 1520, tornou-se independente da Matriz de Aljubarrota em 1565, dependência que durou 269 anos, com início em 1296 com a demarcação das Igrejas dos Coutos.

Nela há a salientar o portal manuelino em arco abatido sobreposto por apêndices decorativos: folhas retorcidas, animais quiméricos, etc. Sobre o fecho avultam as armas do Cardeal Infante.

Foi construída em 1520, por iniciativa da população local, com autorização do Cardeal Infante D.Henrique, como ermida dedicada a Nª Senhora da Conceição, dependendo da paróquia de Aljubarrota. Só em 23 de Julho de 1565, foi designada Igreja Matriz da paróquia de Turquel. Ainda hoje, mantém, sobre o seu pórtico principal, as armas do Cardeal Infante, que a mandara ampliar.

Foi novamente alargada por ordem do Mosteiro de Alcobaça, na época do domínio espanhol. Em 1709, sofre desmoronamento e as cerimónias litúrgicas passaram a ser celebradas na Igreja da Misericórdia. As obras de reconstrução foram desde 1720 a 1733.

No entanto, também no domingo de Páscoa de 1747, o coro da igreja caiu, tendo havido vítimas, pelo que foram necessárias mais uma vez, algumas obras.


Em 1915, iniciaram-se novas obras que duraram até 1923, onde houve uma grande remodelação dos soalhos, dos estuques, ampliação do coro, e modificação de altares.

Em 1950, foi necessário reparar a sacristia e a parte Nascente da Igreja e foi então alterada a parede da capela-mor, da sua talha dourada para o aspecto que ainda hoje mantém, sob a orientação do arqº Korrodi.

Em 12 de Outubro de 1998, foram iniciadas as últimas obras de restauro e ampliação e construção de anexos, incluindo a casa mortuária, vindo a terminar nos finais de 1999.

Como tem sido alvo de sucessivas obras, foi ficando sem o seu aspecto original. Neste momento, a Igreja Matriz tem uma nave principal e outra lateral, tendo esta sido proveniente duma dependência da igreja, eliminando-se a parede contígua.

Foi construído o seu altar, em pedra da região, fora da capela-mor, para as celebrações litúrgicas. Foi retirado o seu púlpito que estava colocado na parede do lado esquerdo. A pia baptismal em forma de cálice octogonal com escultura decorativa, foi transferida do seu recinto para junto do altar. O coro tem também acesso pelo interior da igreja e ficou com uma forma de anfiteatro.

A capacidade da igreja é de cerca de 4 centenas de pessoas.


Capela do Senhor Jesus do Hospital


A Capela do Senhor Jesus do Hospital foi fundada em 3 de Maio de 1762 junto do Hospital da antiga Misericórdia, que sempre a administrou. Mais tarde, em 1870, foi reconstruída e ampliada por iniciativa e diligências de José Joaquim Madeira.

É um modesto templo setecentista que mantém no frontão da fachada azulejos alusivos à Santa Verónica.

Acerca da sua fundação existe uma lenda extremamente interessante.

A primitiva imagem do Senhor do Hospital, foi delineada na parede de um dos aposentos do hospital da Misericórdia desta vila por um peregrino que ali se albergou no ano de 1742.


O Altar-mor da Capela do Senhor Jesus do Hospital

O seu retábulo é primitivo com a adjunção de novas peças, para possibilitar um maior espaço na nova capela, destaca-se uma bem esculpida imagem de Jesus Crucificado, que foi adquirido em 1768, dum lado está S. Francisco de Assis e do outro está um imagem da Virgem e, sob a banqueta, a do Senhor Morto.

Os outros dois altares são respectivamente dedicados aos Senhor do Hospital e a Santa Maria Madalena.

Parte dos azulejos da capela do hospital, isto é, os que se vêem entre o arco cruzeiro e os altares laterais, e os que ladeiam a porta principal, junto às pias da água benta, pertenceram à capela da Quinta da Granja.


Capela de Santo António


A Capela de Santo António é muito antiga, mas pequena e simples. È precedida de um alpendre e de cada lado da porta tem uma janela gradeada. No seu interior existe um retábulo apainelado, no meio do qual existe uma imagem de Santo António. Esta capela situa-se na Rua José Diogo Ribeiro, (antiga Rua do Carril).


O edifício actual não corresponde ao original, porque foi restaurado pelo pároco, Pedro Vicente Ribeiro, com a contribuição dos fiéis. Foi construído um novo altar e retábulo, sendo também acrescentada uma imagem nova de Santo António, mandada esculpir em Braga.


O arco e a divisão ou “capela do fundo” foram construídos em 1844, ligando a capela a uma dependência que estava separada. A sacristia foi ampliada em 1859, graças a um donativo de Jacinto Heliodoro de Oliveira.

Como esta capela se foi degradando, foi restaurada por iniciativa do professor José Diogo Ribeiro, no início do sec. XX.
A garrida que então ali se colocou na respectiva sineira pertencera ao paço (casa da câmara) desta vila; constitui, portanto, uma apreciável memória da antiga municipalidade turquelense.” (In “Memórias de Turquel” de José Diogo Ribeiro, Lisboa, 1908, pag. 134).



Capela da Senhora da Serra


Situada nas faldas da Serra dos Candeeiros, é uma construção abobadada, sólida e elegante. Apresenta um frontão triangular com óculo e em cima deste uma cruz. Lateralmente ostenta dos pináculos. Foi profanada e foi no principio do século mandada purificar e restituir ao culto.

Trabalho elaborado por: Sara Cristina Nazaré Serrazina, nº23 (Grupo2).

Fonte: Blog da Associação para a Defesa do Património de Turquel / www.turquel.com

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Turquel - sua história


Foi vila e sede de concelho entre 1352 e 1836. Era constituído pela freguesia da sede do concelho e da Benedita.

À semelhança de outras povoações que pertenceram aos Coutos de Alcobaça, também em  Turquel há marcas de idílicas lendas mouriscas, apesar de não subsistirem vestígios reais da presença dos seguidores do Corão, muito embora se lhes devam a introdução de técnicas de extracção do azeite, do regadio, da moagem, etc..

A povoação teve a primeira Carta de Povoação em 1314, dado por Frei Pedro Nunes, teve foral manuelino 200 anos mais tarde, de 1513 A vila nessa época tinha o nome de Vila Nova de Turquel. Era uma das treze vilas dos coutos dos Monges de Cister, de Alcobaça.


No entanto a sua história remonta a tempos pré-históricos, como demonstram os achados do período neolítico, em especial da idade do cobre e do bronze. Existem também grutas pré-históricas, como a "Casa da Moira", "Cova da Ladra", "Algar de Estreito", "Algar de João Ramos" e "Buraco de Moniz", as sepulturas da idade do bronze e as antas.

A vila e seu termo pertenceram outrora à paróquia de Santa Maria de Aljubarrota. Por esta ficar muito longe, o povo solicitou em 1528 provisão do comendatário do Mosteiro de Alcobaça, que nessa altura era o Cardeal Infante D. Afonso, para que a vila tivesse capela própria, que teve deferimento.

Assim, em 1528, foi erguida uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, logo convertida em paróquia. Passados alguns anos, o Cardeal Infante D. Henrique, separou-a definitivamente de Aljubarrota e constituiu a vigararia de Turquel.


O nome da povoação, "Turquel", pode ter  tido várias origens. Em grego a palavra "Trokle", significa caverna e de facto existem muitas cavernas notáveis na região.

No livro "Memórias de Turquel", de José Diogo Ribeiro, refere: "Alargando-se a povoação pelo dorso de uma colina que na parte meridional se eleva em forma de um cabeço e desta circunstância lhe advém o nome, cujas formas antiquadas, Turuquelo ou Turuquel, bem podiam ser diminutivos do vocábulo céltico turuco, que significa monte. Ainda há a hipótese destas palavras derivarem das palavras tutur querula, uma vez que tutur ou turturella, significam rola, ave que aparece na mão do Menino Jesus, que se encontra ao colo de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Turquel".

Trabalho realizado por: Sara Cristina Nazaré Serrazina, nº23 (Grupo 2)

Fonte: Marques, Maria Zulmira Albuquerque Furtado; “ Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça”; Alcobaça 1994.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vimeiro - Monumentos a visitar

Igreja Matriz

      
Diz a tradição que a construção da primeira Igreja Matriz da freguesia do Vimeiro, ocorreu ainda antes da formação da mesma. Seria uma pequena capela, dedicada ao Espírito Santo, que se situava a pequena distância do adro da actual Igreja Paroquial, precisamente no local onde existiu o cemitério. Estava em ruínas quando foi demolida, já na segunda metade do século XIX. O painel do seu retábulo foi transferido para a nova Igreja Matriz.

A nova Igreja Matriz encontra-se inteiramente transformada. A torre data de 1906 e em 1924, foi nela inaugurado um relógio público. Tem como padroeiro S. Sebastião.


Quinta do Vimeiro


Já no séc. XIII a Quinta ou Granja do Vimeiro pertencia aos frades de S. Bernardo. Situada num vale aprazivel e fértil, encontra-se rodeada de belos e aromáticos pomares, sendo por certo outrora uma quinta encantadora.

Porém, hoje pouco resta do seu esplendor passado, uma vez que o mau estado em que se encontra, transformam-na numa triste reminiscência do foi outrora.

A Casa da Quinta do Vimeiro tem uma varanda alpendrada com colunas, arco sineiro, escadaria exterior e, no rés do chão, duas arcadas de acesso às arrecadações. A capela tem no portal a data de 1745, data da sua restauração.


O Estado possui uma extensa mata, que pertenceu outrora à antiga Granja do Vimeiro, sendo digna de visita o sítio da Pena da Gouvinha. O topónimo, Pena da Gouvinha faz pressupor que por aqui terão passado os povos bárbaros. Gouvinha é um nome pessoal de origem germânica, ainda documentado no século XII como Gaudina.

Segundo dados da Junta de Freguesia do Vimeiro, esta mata compreende cerca de 279 ha. de floresta, incluindo pinheiros (cerca de 150 hectares) e quercinias (cerca de 70 hectares), sobretudo, carvalhos e sobreiros.

Um dos tesouros desta mata reside nas cerca de 80 subespécies de sobreiro, oriundas de várias partes do mundo, plantadas há cerca de meio século pelo Engenheiro Agrónomo Joaquim Vieira Natividade. Fez parte dos Coutos Cistercienses e D. Afonso IV terá usado estas terras para fazer as suas caçadas.
 
Fonte: http://passeiosdohcc.blogspot.com / Furtado Marques, Maria Zulmira Albuquerque;“ Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça”; Alcobaça 1994.
 
Fotos: Dias dos Reis / Caminheiros

Vimeiro - sua História

A poucos quilómetros abaixo de Santa Catarina, já no concelho de Alcobaça, aparece-nos a povoação do Vimeiro.

O Vimeiro teve um povoamento pré-histórico importante, do qual surgiram no nosso século abundantes vestígios. Segundo José Diogo Ribeiro, foram encontrados na Quinta do Vimeiro diversas lápides de mármore e, no sítio denominado Cidade de Lilaia, uma série de fragmentos cerâmicos. Por volta de 1930, ao ser perfurado um poço num quintal da freguesia surgiram dois utensílios do período neolítico, uma faca de grandes dimensões e um machado pequeno.

No entanto, a povoação já existia em 1296, e segundo a demarcação das Igrejas dos Coutos, é citada por Frei Furtunato de Boaventura.


A palavra vimeiro, deriva de vime, forma vegetal muito abundante numa zona ainda inculta e deserta nos primeiros séculos da nossa monarquia. Algumas teorias apontam mesmo para o despovoamento total desta região no período anterior à Reconquista cristã.

O posterior repovoamento da zona alcobacense deveu-se ao Mosteiro de Alcobaça, que em meados do século XII recebeu de D. Afonso Henriques carta de couto. Esse repovoamento fez-se sob a forma de casais isolados, grande parte deles provenientes do norte do país.

O Vimeiro, hoje sede de freguesia, terá começado por ser uma vasta propriedade privilegiada, pertença do Mosteiro Cisterciense. Aliás, no século XIII, a povoação é denominada “Granja do Vimeiro” o que demonstrar que aquele local foi cultivado como cabeça de uma granja.

Trabalho elaborado por: Catarina Fialho, nº10 (Grupo 1)

Fonte: Wikipédia /  Furtado Marques, Maria Zulmira Albuquerque;“ Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça”; Alcobaça 1994.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Santa Catarina - Monumentos a visitar

Pelourinho


O pelourinho de Santa Catarina situa-se nas proximidades da Igreja Matriz, no largo principal da povoação.

Este pelourinho, símbolo do poder e justiça do concelho, está ,colocado sobre um alto maciço de alvenaria, é constituído de pinha piramidal, sendo a base formada por três degraus octogonais sobrepostos, acima dos quais se eleva a coluna ao jeito clássico, com pedestal.

O fuste é cilíndrico, afuselado, com capitel em gola. Deste, nascem quatro ferros em cruzeta, cravados na pedra e suportados por esteios em forma de S. Os ferros ou ganchos, recurvados ao meio, terminam em pontas lanceoladas e possuem argolas pendentes. O remate é cónico, de base oitavada, com a superfície cónica e vértice arredondado em jeito de pinha. Para alguns, no entanto, o remate é em forma de copa e aba de chapéu. Foi reconstruído em 1960, com a reutilização dos elementos originais.

Associado a este monumento encontra-se a Forca, onde era feita a justiça. Segundo a tradição popular, a Forca da Comarca encontrava-se localizada numa encosta pedregosa a cerca de quinhentos metros a Sul da povoação, sempre apareceu como um lugar tenebroso que, atormentava os espíritos de quem se aventura a passar por esse local, principalmente pela noitinha.

Igreja Paroquial de Santa Catarina


A Igreja Paroquial de Santa Catarina é um templo simples com uma alta torre sineira. O interior é rebocado e pintado de branco com azulejos industriais de padrão policromo formando silhar.

A nave é única e muito comprida, com pavimento em madeira com corredor em pedra e tecto de madeira em arco rebaixado. O coro alto, possui guarda em balaustrada com balaustres de madeira torneada assente em duas colunas de madeira com pias de água benta integradas.


No sub-coro e do lado da Epistola, a capela baptismal, é quadrangular, diferenciada da nave por um degrau e vedada por divisória de balaustres em madeira. A capela-mor é abobadada. As paredes com silhar de azulejos iguais aos da nave, pavimento em pedra e coberta por tecto plano de madeira pintada de azul; ao centro, sobre plinto facetado, a pia baptismal.

Tem dois altares colaterais de boa talha do princípio do século XVIII e três capelas laterais, uma consagrada a Nossa Senhora do Rosário e duas do lado do Evangelho dedicadas a Cristo Crucificado e ao Coração de Jesus. Sobre o altar frontal, revestido a azulejos, há um retábulo quinhentista. O painel da direita representa a "Anunciação" e o da esquerda a "Adoração dos Pastores".

A Padroeira da freguesia é Catarina de Alexandria (Egipto), século IV, proveniente de família nobre. Convertida por um eremita, decidiu dedicar-se à religião católica. Quando o Imperador Maximiano, que seguia o paganismo, a quis desposar, Catarina repeliu-o dizendo que era noiva de Cristo. Esta recusa proporcionou-lhe o martírio. Sujeita a vários suplícios, entre eles o da roda dentada foi, por fim, decapitada. A festa em honra da padroeira, Santa Catarina, realiza-se em 8 de Setembro e em 25 de Novembro.


Casa Nobre
 

A casa nobre da vila é uma edificação setecentista, com portal decorativo, ornamentado. Ao alto, entre os “pescoços de cavalos” que formam o frontão, um vaso florido, cingido por volutas de cantaria. Uma fiada de sacadas, bem proporcionadas, enobrece a fachada. Escadaria com balaústres de pedra e a guarnição de azulejos de “motivo isolado”. Nas salas há azulejos de ornato da mesma época. Numa esquina da casa ainda se mantém um relógio de sol.
 
 
Capela da Casa Nobre
 
A antiga capela da residência é escuríssima, coberta de um tecto de três planos, pintado e dourado com ornatos miúdos em painéis e as paredes têm quadros representando S. João Baptista, S. João Evangelista, a Anunciação, o Casamento da Virgem, S. Joaquim e a Senhora Santa Ana. Já não existe retábulo no altar e do tecto pende um lustre antigo.
 
Trabalho elaborado por: Fabiana Crisóstomo Costa, nº14 (Grupo 2).
 
Fonte: www.jornaldascaldas.com - site dos caminheiros / Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.

Fotos: Dias dos Reis.

Santa Catarina - sua História


Não se sabe quando começou a ocupação territorial da Península Ibérica, mas é comummente aceite que os primeiros povos procuraram ocupar os sítios que se lhes apresentaram mais favoráveis que lhes permitissem pescar ou caçar que tivessem cavernas para abrigo.

Os vestígios arqueológicos, apontam para a presença no alto de um monte denominado "Castelo", de um Castro cujas estruturas defensivas ainda são perfeitamente visíveis e indiciam datar da II Idade do Ferro e segundo se supõe, deve ter sido abandonado antes da época imperial romana.

Foi assim que no século II A.C., os romanos vieram encontrar, nas imediações, de Santa Catarina, os lusitanos, gente que se abrigava nas escarpas da Serra dos Candeeiros e noutros montes das serranias de Alcobaça. As armas desses trogloditas (assim se chamam os homens das cavernas) eram de pedra e foi com os invasores que vieram a conhecer o ferro e a arte de manejar as armas.

Segue-se a invasão de outros povos vindos do Norte, como os Normandos. Mais tarde entram na Península os Árabes que vencendo o rei D. Rodrigo ao sul da actual Espanha, no ano de 711 se instalaram nesta região deixando longos vestígios do seu domínio, especialmente na toponímia.

A população, porém, era demasiado afectada pela lepra, peste e outras doenças, e até à vinda dos Monges de S. Bernardo para Alcobaça, já no reinado de D. Afonso Henrique, não foi grande o progresso verificado. 

Santa Catarina foi também uma das treze vilas dos Coutos de Alcobaça. Foi sede de concelho, teve forca e pelourinho, que ainda hoje existe no Largo da Igreja, constituindo o sinal que teve justiça própria.

A 4 de Fevereiro de 1307 os Monges de Alcobaça atribuíram-lhe a Carta de Foro ao que se passou então a denominar de Couto de Santa Catarina.


Nesse documento ficaram definidos os limites e locais confinantes, ou seja, as suas fronteiras. É fixado o número de trinta e um povoadores como o número de famílias que deveriam ocupar outros tantos casais, cultivando as terras e procurando extrair delas uma alargada produção agrícola. Ficaram também definidos os direitos, os deveres e as proibições desses povoadores. Estava assim prescrito que ao fim de seis anos de ocupação da terra o povoador ficava com a sua posse, embora continuasse a pagar tributo ao Mosteiro, mas caso não pudesse lavrar por inteiro o seu casal, seria obrigado a dá-lo a outro povoador que o pudesse fazer convenientemente.

Estava também definido que o povoador fizesse uso das árvores para as poder utilizar na construção das suas casas, que poderia pastorear o seu gado em determinadas zonas mas que a caça ficava reservada ao Mosteiro.

Este documento além de proporcionar indicações históricas para se conhecer a origem desta povoação, fornece dados muito concretos do nível de organização que o Mosteiro impunha nos seus territórios e da relação estabelecida entre os senhorios, os Monges de Alcobaça e os moradores dos seus coutos.


O 1º foral foi-lhe concedido pelo D. Abade de Alcobaça, Frei João Martins, em 1333. Estas terras já estavam na posse dos monges cistercienses há bastante tempo, mas como aqui a população era menos densa que no norte e centro dos Coutos, a atribuição do foral aconteceu em época posterior.

Ao longo dos séculos XIV e XV, Santa Catarina progrediu de tal maneira no capítulo comercial e agrícola que uma das estradas de ligação dos Coutos a Santarém passava por lá. Já designada por vila, o seu mérito foi reconhecido por D. Manuel I que, em 1518, lhe conferiu um segundo foral, o Foral Novo, reflectindo o desenvolvimento experimentado pelo concelho.

A jurisdição das autoridades municipais abrangia antes de 1836 a freguesia vizinha de Carvalhal Benfeito. Com a extinção do concelho de Santa Catarina, a povoação de Carvalhal Benfeito ligou-se a Caldas da Rainha, tal como sucedeu a Salir de Matos, antiga vila dos Coutos de Alcobaça. Esta anexação levou a que se gerasse também em Santa Catarina um movimento semelhante para o desmembramento de Alcobaça, mas tal processo não foi pacífico e, por isso, surgiram muitos problemas na vila entre 1836 e 1898, até que finalmente ficou a pertencer ao concelho de Caldas da Rainha.

Fonte: Portal-Jornal Oeste Online / Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.

Fotos: Dias dos Reis.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Vidais - História e Monumentos


Vidais é uma pequena povoação na freguesia do concelho de Caldas da Rainha. Pertenceu em 1527 ao termo de Alvorninha e em 1798 foi sede de freguesia. Outrora teve um hospital, fundado pelos confrades do Espírito Santo.

Próximo de Vidais, no lugar do Casal do Rei (Casais da Memória), existiu um arco encimado pela estátua de D. Afonso Henriques, a quem chamavam "O Rei da Memória".  


Marcava também o início dos Coutos e ostentava os dizeres: "O santo rei D. Afonso Henriques, fundador de Alcobaça".

Também, se conta que D. Afonso Henriques, na sua campanha de conquista rumo a Santarém, vindo de Leiria, acampou naquele lugar que é hoje conhecido por Casais da Memória. Ali, à noite, o rei, após ter subido a uma pequena colina e ter visto as luzes dos mouros nas muralhas escalabitanas, prometeu dar aos Monges de Cister todas as terras que avistava dali até ao mar, caso conseguisse expulsar os mouros do dito povoado. E assim foi cumprida a promessa, dando origem aos Coutos de Alcobaça.


No local da promessa feita pelo rei (ao cimo da Rua de Cister, da actual povoação designada por Arco da Memória) foi levantada uma estátua de D. Afonso Henriques. Mais tarde foi construído um arco (o Arco da Memória) e, no seu cimo aplanado foi colocada a estátua do nosso primeiro rei. Assim, o Arco da Memória permaneceu até aos dias em que a fúria Republicana, que não concordava com o regime monárquico, destruiu o monumento, no dia 12 de Janeiro de 1911, no entanto também há uma versão que diz que o Arco ruiu devido a um tremor de terra.

A estátua de D. Afonso Henriques foi vandalizada e abandonada. Mais tarde, foi salva por um habitante local (Sr. Joaquim Martins) que a enterrou e participou o feito às autoridades das Caldas da Rainha. Depois, mais tarde, a estátua foi levada para a cidade de Leiria pelo Engº Afonso Zuquete que naquele tempo dirigia as obras de solidificação do castelo daquela cidade. Actualmente, a estátua está situada no mirante da Avenida Ernesto Korrodi, no sopé do monte onde assenta o Castelo de Leiria.


No dia 28 de Junho de 1981, foi inaugurada a réplica do Arco da Memória com o contributo da população e de várias entidades públicas e privadas. Desde essa altura que tem havido um grande esforço para que a estátua do rei D. Afonso Henriques volte a ocupar o seu lugar, no cimo do novo Arco da Memória, na Freguesia de Vidais.

Trabalho realizado por: Sara Cristina Nazaré Serrazina, nº 23 (Grupo 2)

Fonte: Armando Macatrão, artigo publicado no Jornal da Caldas, no dia 24 de Junho de 2009 / Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.