segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Évora de Alcobaça - sua História


Antiquíssima vila dos Coutos de Alcobaça, tem o seu passado de Évora de Alcobaça estará sempre ligado à Ordem de Cister, cujos abades fundaram o Mosteiro de Alcobaça, exercendo a partir daí jurisdição sob uma vasta área em seu redor.

Esta freguesia era uma das muitas que faziam parte dos Coutos de Alcobaça, pelo que, durante muito tempo, foi conhecida como Évora Couto. Foi vila e sede de concelho entre 1332 e o início do século XIX. Évora recebeu foral de Abade D. Martinho em 1332, renovado por D. Manuel I em 1 de Outubro de 1514.

Embora seja uma freguesia de que historicamente menos se conhece, Évora de Alcobaça, possui no entanto várias versões em relação à sua origem.

Uma dessas versões diz-nos que a origem de Évora de Alcobaça advém dos “Eburon”, povo que viveu na Península Ibérica, ou nos povos árabes, que no séc. VIII demandaram terras lusitanas. Outra versão, diz que a palavra Évora, é corrupção de “evra” (erva), que o Cardeal D. Henrique mandava buscar à povoação para os seus cavalos. Uma terceira versão, conta-nos que a povoação já existia, sob o domínio romano com o nome de Eburóbriga. Esta talvez seja a versão, que mais se aproxima da verdade.

Mais tarde os Frades da Ordem de Cister viriam a desenvolver extraordinariamente, toda a área de que eram donatários. Assim, a freguesia teve, nesta altura, uma Misericórdia, uma Companhia de Ordenanças com um capitão e as respectivas autoridades de justiça. O Pelourinho que aí existia e que simbolizava essa mesma justiça foi retirado em 1875 por vontade da população e encontra-se hoje no Museu do Carmo, em Lisboa.

Trabalho elaborado por: Adriana Filipa Coelho Ferreira, nº 1.
 
Fonte: Wikipédia

Casal de Vale de Ventos - História e Monumentos


Os monges cistercienses, que o Engº Joaquim Vieira Natividade inteligentemente baptizou de monges agrónomos, administraram com sapiência os territórios que lhes foram confiados. Para além das terras que entregavam aos povoadores a troco de um foro, criaram inúmeras granjas (a área de reserva da Abadia) que com as suas próprias mãos cuidaram e amanharam.

Cada granja era um microcosmo cultural, com a sua vinha, os pomares de espinho, caroço e pevide, o olival, as terras de pão e um conjunto de meios de produção/transformação como lagares de azeite e vinho, fornos de cal, pisões, moinhos, entre outros engenhos.

No lugar de Vale de Ventos, localizado na freguesia de Turquel, existe ainda uma propriedade agrícola, a Quinta de Vale de Ventos, que é um imóvel muito antigo, em vias de classificação pelo IPPAR. Constituiu outrora um couto agrícola dos Frades de Cister, conservando ainda vestígios deste seu passado, como é o caso de dois grandes reservatórios de água, em pedra, que abasteceriam a herdade.

A Quinta de Val Ventos (século XVIII), como era outrora chamada, é uma das granjas mais modernas na longa história de vida dos Coutos de Alcobaça. Nesta granja mandam os cistercienses plantar o mais extenso olival dos coutos que, segundo a avaliação dos louvados (1834), possuía 60.000 pés de árvore dispostas numa matriz geométrica, cujo compasso mandava a distância de nove metros entre árvores contra dezassete metros de fileira a fileira.

Para arrecadar a produção deste magnífico olival, que em anos de safra generosa alcançava as 70 pipas, no fresco rés-do-chão do celeiro dispunha-se o armazém de azeite com as suas 23 pias (actualmente só restam 19), com a capacidade estimada de 166 pipas (assim se podia almudar o azeite proveniente do quinto da azeitona e do dízimo da maquia).

Destaca-se ainda nesta Quinta, as Obras, nome porque ficaram conhecidos os gigantescos reservatórios de armazenamento das águas pluviais, a Pia da Serra que abastecia de água os pomares de limas e laranjeiras doces assentes na encosta, a extensa eira quadrangular para debulhar os milhos e leguminosas secas que se cultivavam num ciclo de três em três anos nas terras de olival e o pombal (já para não falar do complexo habitacional e Igreja).

No ano de 1765 edifica-se nesta granja o maior colmeal dos Coutos. Situado numa encosta virada a nascente, os covões de abelhas instalavam-se em patamares servidos por uma escadaria lateral. O muro apiário com 2 metros de altura cercava uma superfície com 20 metros de largura por 20 metros de comprimento. O murado abrigava os cortiços e colmeias dos ventos gélidos, servia de barreira a fogos e protegia do ataque de texugos e doninhas, entre outros animais, responsáveis por estragos consideráveis nos enxames. Para manter os enxames saudáveis durante o Inverno, depositavam junto aos cortiços tigelas com castanhas piladas cozidas. As artes da cresta realizavam-se no mês de Junho, mas quando convinha reforçar a enxameação a cresta era bienal.

Graças a esta actividade abundava o mel de tão grande utilidade no receituário de doces e também noutros pratos requintados, nas bebidas fermentadas, na arte terapêutica… O mel da Serra (mel de alecrim) era mesmo considerado o mais claro que se produzia em Portugal.

Tendo sido uma das grandes granjas dos Monges de Cister, após o abandono devido à extinção das ordens religiosas em Portugal. Passou depois a ser propriedade do Marquês de Rio Maior e mais tarde, viria a pertencer ao Conde de Azinhaga.

Devido à sua localização nas faldas da Serra dos Candeeiros e com uma enorme área, quase tudo ali se produzia e transaccionava, criando, assim, muitos postos de trabalho, para além dos trabalhadores sazonais que vinham de longínquas terras. Trabalhavam permanentemente cerca de 20 homens nos serviços agrícolas, e cerca de 15 mulheres. Havia outras pessoas que ali residiam para uma melhor assistência aos numerosos animais de trabalho e transporte, assim como para diversos serviços domésticos.

Na Quinta de Vale de Ventos tudo se fazia duma maneira autónoma: existia a habitação com uma capela anexa, dedicada a Nossa Senhora, várias arrecadações, uma abegoaria (conjunto das alfaias de uma propriedade agrícola), uma oficina de carpintaria, um lagar de azeite, uma eira, depósitos para armazenagem de águas pluviais, fornos de cal, cortiços para abelhas, etc..

Dotada de um grande olival, era necessário recorrer a outro pessoal, aquando da sua colheita. A azeitona colhida era moída no lagar, movido por uma vara comprida, que era puxada por um boi em volta do engenho. As galgas (mós) trituravam a azeitona, sendo depois a massa colocada em ceiras, que eram comprimidas nas 4 prensas existentes através de 4 grandes pesos de pedra, colocados nas suas varas. Os lagareiros executavam as tarefas relativas à saída do azeite, o melhor que lhes fosse possível, pois daí dependia a sua boa qualidade. O azeite saía para as tarefas de chapa, sendo depois armazenado em pias (vasilhas de pedra) até ser vendido. A produção da azeitona era cerca de 160 carradas.

O mel mais claro do nosso País era ali produzido. Existia uma grande quantidade de abelhas colocadas em 400 cortiços, cuja produção atingia 12 almudes por ano. Os cortiços eram ali fabricados pelo pessoal assalariado, visto que existia muita cortiça. Este serviço era feito à sombra de uma oliveira que estava próxima. No local do colmeal foi mais tarde plantado um eucaliptal.

Devido à existência de um grande reservatório de águas pluviais (Obras), era possível proceder à rega dos diversos produtos hortícolas, utilizados na alimentação dos residentes da Quinta. Havia outro reservatório mais pequeno para captação de águas utilizadas na confecção de alimentos.

Como a Granja tem uma grande área e muito mato, existia um grande rebanho de ovelhas e cabras com o seu ovelheiro. Para os trabalhos de remoção de terras, havia sempre 3 juntas de bois com o seu abegão. Para o transporte das pessoas, havia cavalos, mulas e burros.

Devido à grande produção da Quinta de Vale de Ventos, faziam-se as mais diversas transacções comerciais: gado, azeite, mel, milho, trigo, lã, peles, legumes, lenha e mato. Vinham compradores dos mais diversos pontos do País.

Fonte: Texto sedido pelo Prof. Dr. António Maduro, para o site: http://adepartroteiro.blogspot.com/ / elementos em arquivo acerca da Quinta de Vale de Ventos,  fornecidos no ano de 2000 pelo Dr.Joaquim Guerra ali nascido em 1911.

Turquel - Grutas


Perto de Turquel existem várias grutas pré-históricas, como a "Casa da Moira", "Cova da Ladra", "Algar de Estreito", "Algar de João Ramos" e "Buraco de Moniz", e ainda sepulturas da idade do bronze e antas. De todos estes lugares escolhemos dois que pela sua importância devem ser referidos como locais a visitar.

Estas grutas e algares próximos de Turquel, deram origem ao longo dos tempos, a idílicas lendas mouriscas, apesar de não subsistirem vestígios reais da presença mourisca, muito embora se saiba que a estes se devem a introdução de técnicas na região, como as de extracção do azeite, do regadio, da moagem, etc..

Como sempre, estas lendas podem assumir diversas formas e existe um grande número de lendas, e versões da mesma lenda, como resultado de séculos de tradição oral. Surgem como guardiãs dos locais de passagem para o interior da terra, os locais "limite", onde se acreditava que o sobrenatural podia manifestar-se. Aparecem junto de nascentes, fontes, pontes, rios, poços, cavernas, antigas construções, velhos castelos ou tesouros escondidos.



Casa da Moira



É uma famosa gruta, situada num outeiro, adjacente à Serra dos Candeeiros, ao qual dão o nome de Cabeço de Turquel. Distancia-se três quilómetros da vila, para leste.

A entrada da gruta é uma estreita fenda aberta no rochedo. Ao fim de alguns metros por entre apertadas paredes, com a forma de um corredor, com bastante declive, há uma espaçosa “sala”, que apresenta de forma original e de curioso aspecto da sua decoração baseada em estalagmites e estalactites, exibindo as mais variadas e caprichosas formas, o que dá a entre recinto a aparência de um templo gótico.

Daqui parte uma galeria, cujo o solo vai gradualmente subindo, e cujas paredes e tectos são também ornamentados por belas colunas.

No extremo desta galeria, houve antigamente uma abertura, que dava comunicação com o exterior.

O conhecido arqueólogo Sr. Joaquim Possidónio Narciso da Silva veio em 1869 observar esta gruta, mandando então prosseguir com escavações, descobrindo diversas camadas de cinzas e ossos. O Sr. Possidónio julga ter servido de necrópole aos povos primitivos.

Estação arqueológica do Paleolítico

Tipo de Estrutura – Gruta natural

Lugar – Charneca do Rio Seco

Localização Geográfica – Carta Militar Portuguesa, escala 1:25 000, 327 Turquel ( Alcobaça), Altitude aproximada 240 m.

Geomorfologia – Gruta aberta no calcário Jurássico superior na vertente NO do Cabeço de Turquel. Zona florestal.

Escavações:

(1869) – Escavações de Joaquim Possidónio da Silva.

(1881) – Escavações de Carlos Ribeiro.


Algar de João Ramos


A Gruta assim denominada abre-se no pendor oriental de uma elevação entre as Redondas e o Covão do Milho.

Esta Gruta tem um acesso que só é possível na vertical, prolonga-se num plano rapidamente inclinado de mais de trinta metros de extensão. No seu lado direito desemboca uma galeria muito sinuosa.

Foi explorada nos finais do século XIX pelo Sr. Manuel Vieira Natividade. Considerado por ele, como a mais notável gruta e a considerou uma estação típica do período do cobre.

Nesta gruta foi encontrado os seguintes instrumentos de cobre: um punhal, dois machados, duas pontas de lança, duas pontas de flechas, além destes objectos do período do cobre, foi também encontrados duas facas de sílex, dois machados, e três placas de xisto (em cada uma destas havia dois furos), oito vasos de barro, um botão de osso, etc.


Estação arqueológica do Paleolítico

Tipo de Estrutura – Gruta natural

Classificação cronológica – Paleolítico médio/superior 

Lugar – Covão do Milho (Redondas).

Localização Geográfica – Carta Militar Portuguesa, escala 1:25 000, 327 Turquel ( Alcobaça), Altitude aproximada 190 m.

Geomorfologia – Gruta aberta no Calcário Jurássico, na base da encosta ocidental da serra dos candeeiros. Zona agrícola.

Escavações:

- 1890 – Escavações de Manuel Vieira Natividade.

- Escavações dos Serviços Geológicos de Portugal.

Fonte: www.Turquel.com

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Turquel - Monumentos a visitar

Pelourinho Manuelino


Pelourinho de Turquel encontra-se no centro da vila histórica de Turquel. É um pelourinho manuelino, datado do séc. XVI. 

A sua existência tem sido atribulada. Em 1874, havia sido levado para o Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa. Em 23 de Maio de 1950, foi solenemente reposto no local de onde há quatro décadas havia sido retirado. Para o efeito foram-lhe adicionados  três degraus circulares, de rebordo saliente, que não existiam no seu anterior lugar de ocupação. No dia 23 de Agosto de 1979, o pelourinho foi derrubado por um camião.

O monumento é composto por quatro partes: plinto, fuste, capitel, e remate. O fuste assenta no plinto formado por três degraus circulares e é dividido ao meio por um anelete que une as duas partes e é decorado nos extremos por bolas.

A coluna estilizada é decorada com florões quadrifoliados. O remate assenta sobre um capitel quadricular com quatro florões que se desenvolvem das arestas verticais até cada meio de duas faces. O remate em forma de pinha, apresenta numa das faces em alto relevo, uma figura humana que, segundo Possidónio da Silva, refere-a como sendo a do Abade de Alcobaça. Mas, segundo José Diogo Ribeiro, trata-se de Santa Bárbara, pois era assim denominada Nossa Senhora da Conceição pelos residentes de Turquel nos anos anteriores a 1920.

O Pelourinho foi classificado pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público desde 1933.


Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição


Mandada erguer pelo Cardeal Infante D. Henrique em 1520, tornou-se independente da Matriz de Aljubarrota em 1565, dependência que durou 269 anos, com início em 1296 com a demarcação das Igrejas dos Coutos.

Nela há a salientar o portal manuelino em arco abatido sobreposto por apêndices decorativos: folhas retorcidas, animais quiméricos, etc. Sobre o fecho avultam as armas do Cardeal Infante.

Foi construída em 1520, por iniciativa da população local, com autorização do Cardeal Infante D.Henrique, como ermida dedicada a Nª Senhora da Conceição, dependendo da paróquia de Aljubarrota. Só em 23 de Julho de 1565, foi designada Igreja Matriz da paróquia de Turquel. Ainda hoje, mantém, sobre o seu pórtico principal, as armas do Cardeal Infante, que a mandara ampliar.

Foi novamente alargada por ordem do Mosteiro de Alcobaça, na época do domínio espanhol. Em 1709, sofre desmoronamento e as cerimónias litúrgicas passaram a ser celebradas na Igreja da Misericórdia. As obras de reconstrução foram desde 1720 a 1733.

No entanto, também no domingo de Páscoa de 1747, o coro da igreja caiu, tendo havido vítimas, pelo que foram necessárias mais uma vez, algumas obras.


Em 1915, iniciaram-se novas obras que duraram até 1923, onde houve uma grande remodelação dos soalhos, dos estuques, ampliação do coro, e modificação de altares.

Em 1950, foi necessário reparar a sacristia e a parte Nascente da Igreja e foi então alterada a parede da capela-mor, da sua talha dourada para o aspecto que ainda hoje mantém, sob a orientação do arqº Korrodi.

Em 12 de Outubro de 1998, foram iniciadas as últimas obras de restauro e ampliação e construção de anexos, incluindo a casa mortuária, vindo a terminar nos finais de 1999.

Como tem sido alvo de sucessivas obras, foi ficando sem o seu aspecto original. Neste momento, a Igreja Matriz tem uma nave principal e outra lateral, tendo esta sido proveniente duma dependência da igreja, eliminando-se a parede contígua.

Foi construído o seu altar, em pedra da região, fora da capela-mor, para as celebrações litúrgicas. Foi retirado o seu púlpito que estava colocado na parede do lado esquerdo. A pia baptismal em forma de cálice octogonal com escultura decorativa, foi transferida do seu recinto para junto do altar. O coro tem também acesso pelo interior da igreja e ficou com uma forma de anfiteatro.

A capacidade da igreja é de cerca de 4 centenas de pessoas.


Capela do Senhor Jesus do Hospital


A Capela do Senhor Jesus do Hospital foi fundada em 3 de Maio de 1762 junto do Hospital da antiga Misericórdia, que sempre a administrou. Mais tarde, em 1870, foi reconstruída e ampliada por iniciativa e diligências de José Joaquim Madeira.

É um modesto templo setecentista que mantém no frontão da fachada azulejos alusivos à Santa Verónica.

Acerca da sua fundação existe uma lenda extremamente interessante.

A primitiva imagem do Senhor do Hospital, foi delineada na parede de um dos aposentos do hospital da Misericórdia desta vila por um peregrino que ali se albergou no ano de 1742.


O Altar-mor da Capela do Senhor Jesus do Hospital

O seu retábulo é primitivo com a adjunção de novas peças, para possibilitar um maior espaço na nova capela, destaca-se uma bem esculpida imagem de Jesus Crucificado, que foi adquirido em 1768, dum lado está S. Francisco de Assis e do outro está um imagem da Virgem e, sob a banqueta, a do Senhor Morto.

Os outros dois altares são respectivamente dedicados aos Senhor do Hospital e a Santa Maria Madalena.

Parte dos azulejos da capela do hospital, isto é, os que se vêem entre o arco cruzeiro e os altares laterais, e os que ladeiam a porta principal, junto às pias da água benta, pertenceram à capela da Quinta da Granja.


Capela de Santo António


A Capela de Santo António é muito antiga, mas pequena e simples. È precedida de um alpendre e de cada lado da porta tem uma janela gradeada. No seu interior existe um retábulo apainelado, no meio do qual existe uma imagem de Santo António. Esta capela situa-se na Rua José Diogo Ribeiro, (antiga Rua do Carril).


O edifício actual não corresponde ao original, porque foi restaurado pelo pároco, Pedro Vicente Ribeiro, com a contribuição dos fiéis. Foi construído um novo altar e retábulo, sendo também acrescentada uma imagem nova de Santo António, mandada esculpir em Braga.


O arco e a divisão ou “capela do fundo” foram construídos em 1844, ligando a capela a uma dependência que estava separada. A sacristia foi ampliada em 1859, graças a um donativo de Jacinto Heliodoro de Oliveira.

Como esta capela se foi degradando, foi restaurada por iniciativa do professor José Diogo Ribeiro, no início do sec. XX.
A garrida que então ali se colocou na respectiva sineira pertencera ao paço (casa da câmara) desta vila; constitui, portanto, uma apreciável memória da antiga municipalidade turquelense.” (In “Memórias de Turquel” de José Diogo Ribeiro, Lisboa, 1908, pag. 134).



Capela da Senhora da Serra


Situada nas faldas da Serra dos Candeeiros, é uma construção abobadada, sólida e elegante. Apresenta um frontão triangular com óculo e em cima deste uma cruz. Lateralmente ostenta dos pináculos. Foi profanada e foi no principio do século mandada purificar e restituir ao culto.

Trabalho elaborado por: Sara Cristina Nazaré Serrazina, nº23 (Grupo2).

Fonte: Blog da Associação para a Defesa do Património de Turquel / www.turquel.com

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Turquel - sua história


Foi vila e sede de concelho entre 1352 e 1836. Era constituído pela freguesia da sede do concelho e da Benedita.

À semelhança de outras povoações que pertenceram aos Coutos de Alcobaça, também em  Turquel há marcas de idílicas lendas mouriscas, apesar de não subsistirem vestígios reais da presença dos seguidores do Corão, muito embora se lhes devam a introdução de técnicas de extracção do azeite, do regadio, da moagem, etc..

A povoação teve a primeira Carta de Povoação em 1314, dado por Frei Pedro Nunes, teve foral manuelino 200 anos mais tarde, de 1513 A vila nessa época tinha o nome de Vila Nova de Turquel. Era uma das treze vilas dos coutos dos Monges de Cister, de Alcobaça.


No entanto a sua história remonta a tempos pré-históricos, como demonstram os achados do período neolítico, em especial da idade do cobre e do bronze. Existem também grutas pré-históricas, como a "Casa da Moira", "Cova da Ladra", "Algar de Estreito", "Algar de João Ramos" e "Buraco de Moniz", as sepulturas da idade do bronze e as antas.

A vila e seu termo pertenceram outrora à paróquia de Santa Maria de Aljubarrota. Por esta ficar muito longe, o povo solicitou em 1528 provisão do comendatário do Mosteiro de Alcobaça, que nessa altura era o Cardeal Infante D. Afonso, para que a vila tivesse capela própria, que teve deferimento.

Assim, em 1528, foi erguida uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, logo convertida em paróquia. Passados alguns anos, o Cardeal Infante D. Henrique, separou-a definitivamente de Aljubarrota e constituiu a vigararia de Turquel.


O nome da povoação, "Turquel", pode ter  tido várias origens. Em grego a palavra "Trokle", significa caverna e de facto existem muitas cavernas notáveis na região.

No livro "Memórias de Turquel", de José Diogo Ribeiro, refere: "Alargando-se a povoação pelo dorso de uma colina que na parte meridional se eleva em forma de um cabeço e desta circunstância lhe advém o nome, cujas formas antiquadas, Turuquelo ou Turuquel, bem podiam ser diminutivos do vocábulo céltico turuco, que significa monte. Ainda há a hipótese destas palavras derivarem das palavras tutur querula, uma vez que tutur ou turturella, significam rola, ave que aparece na mão do Menino Jesus, que se encontra ao colo de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Turquel".

Trabalho realizado por: Sara Cristina Nazaré Serrazina, nº23 (Grupo 2)

Fonte: Marques, Maria Zulmira Albuquerque Furtado; “ Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça”; Alcobaça 1994.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vimeiro - Monumentos a visitar

Igreja Matriz

      
Diz a tradição que a construção da primeira Igreja Matriz da freguesia do Vimeiro, ocorreu ainda antes da formação da mesma. Seria uma pequena capela, dedicada ao Espírito Santo, que se situava a pequena distância do adro da actual Igreja Paroquial, precisamente no local onde existiu o cemitério. Estava em ruínas quando foi demolida, já na segunda metade do século XIX. O painel do seu retábulo foi transferido para a nova Igreja Matriz.

A nova Igreja Matriz encontra-se inteiramente transformada. A torre data de 1906 e em 1924, foi nela inaugurado um relógio público. Tem como padroeiro S. Sebastião.


Quinta do Vimeiro


Já no séc. XIII a Quinta ou Granja do Vimeiro pertencia aos frades de S. Bernardo. Situada num vale aprazivel e fértil, encontra-se rodeada de belos e aromáticos pomares, sendo por certo outrora uma quinta encantadora.

Porém, hoje pouco resta do seu esplendor passado, uma vez que o mau estado em que se encontra, transformam-na numa triste reminiscência do foi outrora.

A Casa da Quinta do Vimeiro tem uma varanda alpendrada com colunas, arco sineiro, escadaria exterior e, no rés do chão, duas arcadas de acesso às arrecadações. A capela tem no portal a data de 1745, data da sua restauração.


O Estado possui uma extensa mata, que pertenceu outrora à antiga Granja do Vimeiro, sendo digna de visita o sítio da Pena da Gouvinha. O topónimo, Pena da Gouvinha faz pressupor que por aqui terão passado os povos bárbaros. Gouvinha é um nome pessoal de origem germânica, ainda documentado no século XII como Gaudina.

Segundo dados da Junta de Freguesia do Vimeiro, esta mata compreende cerca de 279 ha. de floresta, incluindo pinheiros (cerca de 150 hectares) e quercinias (cerca de 70 hectares), sobretudo, carvalhos e sobreiros.

Um dos tesouros desta mata reside nas cerca de 80 subespécies de sobreiro, oriundas de várias partes do mundo, plantadas há cerca de meio século pelo Engenheiro Agrónomo Joaquim Vieira Natividade. Fez parte dos Coutos Cistercienses e D. Afonso IV terá usado estas terras para fazer as suas caçadas.
 
Fonte: http://passeiosdohcc.blogspot.com / Furtado Marques, Maria Zulmira Albuquerque;“ Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça”; Alcobaça 1994.
 
Fotos: Dias dos Reis / Caminheiros

Vimeiro - sua História

A poucos quilómetros abaixo de Santa Catarina, já no concelho de Alcobaça, aparece-nos a povoação do Vimeiro.

O Vimeiro teve um povoamento pré-histórico importante, do qual surgiram no nosso século abundantes vestígios. Segundo José Diogo Ribeiro, foram encontrados na Quinta do Vimeiro diversas lápides de mármore e, no sítio denominado Cidade de Lilaia, uma série de fragmentos cerâmicos. Por volta de 1930, ao ser perfurado um poço num quintal da freguesia surgiram dois utensílios do período neolítico, uma faca de grandes dimensões e um machado pequeno.

No entanto, a povoação já existia em 1296, e segundo a demarcação das Igrejas dos Coutos, é citada por Frei Furtunato de Boaventura.


A palavra vimeiro, deriva de vime, forma vegetal muito abundante numa zona ainda inculta e deserta nos primeiros séculos da nossa monarquia. Algumas teorias apontam mesmo para o despovoamento total desta região no período anterior à Reconquista cristã.

O posterior repovoamento da zona alcobacense deveu-se ao Mosteiro de Alcobaça, que em meados do século XII recebeu de D. Afonso Henriques carta de couto. Esse repovoamento fez-se sob a forma de casais isolados, grande parte deles provenientes do norte do país.

O Vimeiro, hoje sede de freguesia, terá começado por ser uma vasta propriedade privilegiada, pertença do Mosteiro Cisterciense. Aliás, no século XIII, a povoação é denominada “Granja do Vimeiro” o que demonstrar que aquele local foi cultivado como cabeça de uma granja.

Trabalho elaborado por: Catarina Fialho, nº10 (Grupo 1)

Fonte: Wikipédia /  Furtado Marques, Maria Zulmira Albuquerque;“ Por Terras dos Antigos Coutos de Alcobaça”; Alcobaça 1994.