domingo, 7 de fevereiro de 2010

Santa Catarina - Monumentos a visitar

Pelourinho


O pelourinho de Santa Catarina situa-se nas proximidades da Igreja Matriz, no largo principal da povoação.

Este pelourinho, símbolo do poder e justiça do concelho, está ,colocado sobre um alto maciço de alvenaria, é constituído de pinha piramidal, sendo a base formada por três degraus octogonais sobrepostos, acima dos quais se eleva a coluna ao jeito clássico, com pedestal.

O fuste é cilíndrico, afuselado, com capitel em gola. Deste, nascem quatro ferros em cruzeta, cravados na pedra e suportados por esteios em forma de S. Os ferros ou ganchos, recurvados ao meio, terminam em pontas lanceoladas e possuem argolas pendentes. O remate é cónico, de base oitavada, com a superfície cónica e vértice arredondado em jeito de pinha. Para alguns, no entanto, o remate é em forma de copa e aba de chapéu. Foi reconstruído em 1960, com a reutilização dos elementos originais.

Associado a este monumento encontra-se a Forca, onde era feita a justiça. Segundo a tradição popular, a Forca da Comarca encontrava-se localizada numa encosta pedregosa a cerca de quinhentos metros a Sul da povoação, sempre apareceu como um lugar tenebroso que, atormentava os espíritos de quem se aventura a passar por esse local, principalmente pela noitinha.

Igreja Paroquial de Santa Catarina


A Igreja Paroquial de Santa Catarina é um templo simples com uma alta torre sineira. O interior é rebocado e pintado de branco com azulejos industriais de padrão policromo formando silhar.

A nave é única e muito comprida, com pavimento em madeira com corredor em pedra e tecto de madeira em arco rebaixado. O coro alto, possui guarda em balaustrada com balaustres de madeira torneada assente em duas colunas de madeira com pias de água benta integradas.


No sub-coro e do lado da Epistola, a capela baptismal, é quadrangular, diferenciada da nave por um degrau e vedada por divisória de balaustres em madeira. A capela-mor é abobadada. As paredes com silhar de azulejos iguais aos da nave, pavimento em pedra e coberta por tecto plano de madeira pintada de azul; ao centro, sobre plinto facetado, a pia baptismal.

Tem dois altares colaterais de boa talha do princípio do século XVIII e três capelas laterais, uma consagrada a Nossa Senhora do Rosário e duas do lado do Evangelho dedicadas a Cristo Crucificado e ao Coração de Jesus. Sobre o altar frontal, revestido a azulejos, há um retábulo quinhentista. O painel da direita representa a "Anunciação" e o da esquerda a "Adoração dos Pastores".

A Padroeira da freguesia é Catarina de Alexandria (Egipto), século IV, proveniente de família nobre. Convertida por um eremita, decidiu dedicar-se à religião católica. Quando o Imperador Maximiano, que seguia o paganismo, a quis desposar, Catarina repeliu-o dizendo que era noiva de Cristo. Esta recusa proporcionou-lhe o martírio. Sujeita a vários suplícios, entre eles o da roda dentada foi, por fim, decapitada. A festa em honra da padroeira, Santa Catarina, realiza-se em 8 de Setembro e em 25 de Novembro.


Casa Nobre
 

A casa nobre da vila é uma edificação setecentista, com portal decorativo, ornamentado. Ao alto, entre os “pescoços de cavalos” que formam o frontão, um vaso florido, cingido por volutas de cantaria. Uma fiada de sacadas, bem proporcionadas, enobrece a fachada. Escadaria com balaústres de pedra e a guarnição de azulejos de “motivo isolado”. Nas salas há azulejos de ornato da mesma época. Numa esquina da casa ainda se mantém um relógio de sol.
 
 
Capela da Casa Nobre
 
A antiga capela da residência é escuríssima, coberta de um tecto de três planos, pintado e dourado com ornatos miúdos em painéis e as paredes têm quadros representando S. João Baptista, S. João Evangelista, a Anunciação, o Casamento da Virgem, S. Joaquim e a Senhora Santa Ana. Já não existe retábulo no altar e do tecto pende um lustre antigo.
 
Trabalho elaborado por: Fabiana Crisóstomo Costa, nº14 (Grupo 2).
 
Fonte: www.jornaldascaldas.com - site dos caminheiros / Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.

Fotos: Dias dos Reis.

Santa Catarina - sua História


Não se sabe quando começou a ocupação territorial da Península Ibérica, mas é comummente aceite que os primeiros povos procuraram ocupar os sítios que se lhes apresentaram mais favoráveis que lhes permitissem pescar ou caçar que tivessem cavernas para abrigo.

Os vestígios arqueológicos, apontam para a presença no alto de um monte denominado "Castelo", de um Castro cujas estruturas defensivas ainda são perfeitamente visíveis e indiciam datar da II Idade do Ferro e segundo se supõe, deve ter sido abandonado antes da época imperial romana.

Foi assim que no século II A.C., os romanos vieram encontrar, nas imediações, de Santa Catarina, os lusitanos, gente que se abrigava nas escarpas da Serra dos Candeeiros e noutros montes das serranias de Alcobaça. As armas desses trogloditas (assim se chamam os homens das cavernas) eram de pedra e foi com os invasores que vieram a conhecer o ferro e a arte de manejar as armas.

Segue-se a invasão de outros povos vindos do Norte, como os Normandos. Mais tarde entram na Península os Árabes que vencendo o rei D. Rodrigo ao sul da actual Espanha, no ano de 711 se instalaram nesta região deixando longos vestígios do seu domínio, especialmente na toponímia.

A população, porém, era demasiado afectada pela lepra, peste e outras doenças, e até à vinda dos Monges de S. Bernardo para Alcobaça, já no reinado de D. Afonso Henrique, não foi grande o progresso verificado. 

Santa Catarina foi também uma das treze vilas dos Coutos de Alcobaça. Foi sede de concelho, teve forca e pelourinho, que ainda hoje existe no Largo da Igreja, constituindo o sinal que teve justiça própria.

A 4 de Fevereiro de 1307 os Monges de Alcobaça atribuíram-lhe a Carta de Foro ao que se passou então a denominar de Couto de Santa Catarina.


Nesse documento ficaram definidos os limites e locais confinantes, ou seja, as suas fronteiras. É fixado o número de trinta e um povoadores como o número de famílias que deveriam ocupar outros tantos casais, cultivando as terras e procurando extrair delas uma alargada produção agrícola. Ficaram também definidos os direitos, os deveres e as proibições desses povoadores. Estava assim prescrito que ao fim de seis anos de ocupação da terra o povoador ficava com a sua posse, embora continuasse a pagar tributo ao Mosteiro, mas caso não pudesse lavrar por inteiro o seu casal, seria obrigado a dá-lo a outro povoador que o pudesse fazer convenientemente.

Estava também definido que o povoador fizesse uso das árvores para as poder utilizar na construção das suas casas, que poderia pastorear o seu gado em determinadas zonas mas que a caça ficava reservada ao Mosteiro.

Este documento além de proporcionar indicações históricas para se conhecer a origem desta povoação, fornece dados muito concretos do nível de organização que o Mosteiro impunha nos seus territórios e da relação estabelecida entre os senhorios, os Monges de Alcobaça e os moradores dos seus coutos.


O 1º foral foi-lhe concedido pelo D. Abade de Alcobaça, Frei João Martins, em 1333. Estas terras já estavam na posse dos monges cistercienses há bastante tempo, mas como aqui a população era menos densa que no norte e centro dos Coutos, a atribuição do foral aconteceu em época posterior.

Ao longo dos séculos XIV e XV, Santa Catarina progrediu de tal maneira no capítulo comercial e agrícola que uma das estradas de ligação dos Coutos a Santarém passava por lá. Já designada por vila, o seu mérito foi reconhecido por D. Manuel I que, em 1518, lhe conferiu um segundo foral, o Foral Novo, reflectindo o desenvolvimento experimentado pelo concelho.

A jurisdição das autoridades municipais abrangia antes de 1836 a freguesia vizinha de Carvalhal Benfeito. Com a extinção do concelho de Santa Catarina, a povoação de Carvalhal Benfeito ligou-se a Caldas da Rainha, tal como sucedeu a Salir de Matos, antiga vila dos Coutos de Alcobaça. Esta anexação levou a que se gerasse também em Santa Catarina um movimento semelhante para o desmembramento de Alcobaça, mas tal processo não foi pacífico e, por isso, surgiram muitos problemas na vila entre 1836 e 1898, até que finalmente ficou a pertencer ao concelho de Caldas da Rainha.

Fonte: Portal-Jornal Oeste Online / Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.

Fotos: Dias dos Reis.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Vidais - História e Monumentos


Vidais é uma pequena povoação na freguesia do concelho de Caldas da Rainha. Pertenceu em 1527 ao termo de Alvorninha e em 1798 foi sede de freguesia. Outrora teve um hospital, fundado pelos confrades do Espírito Santo.

Próximo de Vidais, no lugar do Casal do Rei (Casais da Memória), existiu um arco encimado pela estátua de D. Afonso Henriques, a quem chamavam "O Rei da Memória".  


Marcava também o início dos Coutos e ostentava os dizeres: "O santo rei D. Afonso Henriques, fundador de Alcobaça".

Também, se conta que D. Afonso Henriques, na sua campanha de conquista rumo a Santarém, vindo de Leiria, acampou naquele lugar que é hoje conhecido por Casais da Memória. Ali, à noite, o rei, após ter subido a uma pequena colina e ter visto as luzes dos mouros nas muralhas escalabitanas, prometeu dar aos Monges de Cister todas as terras que avistava dali até ao mar, caso conseguisse expulsar os mouros do dito povoado. E assim foi cumprida a promessa, dando origem aos Coutos de Alcobaça.


No local da promessa feita pelo rei (ao cimo da Rua de Cister, da actual povoação designada por Arco da Memória) foi levantada uma estátua de D. Afonso Henriques. Mais tarde foi construído um arco (o Arco da Memória) e, no seu cimo aplanado foi colocada a estátua do nosso primeiro rei. Assim, o Arco da Memória permaneceu até aos dias em que a fúria Republicana, que não concordava com o regime monárquico, destruiu o monumento, no dia 12 de Janeiro de 1911, no entanto também há uma versão que diz que o Arco ruiu devido a um tremor de terra.

A estátua de D. Afonso Henriques foi vandalizada e abandonada. Mais tarde, foi salva por um habitante local (Sr. Joaquim Martins) que a enterrou e participou o feito às autoridades das Caldas da Rainha. Depois, mais tarde, a estátua foi levada para a cidade de Leiria pelo Engº Afonso Zuquete que naquele tempo dirigia as obras de solidificação do castelo daquela cidade. Actualmente, a estátua está situada no mirante da Avenida Ernesto Korrodi, no sopé do monte onde assenta o Castelo de Leiria.


No dia 28 de Junho de 1981, foi inaugurada a réplica do Arco da Memória com o contributo da população e de várias entidades públicas e privadas. Desde essa altura que tem havido um grande esforço para que a estátua do rei D. Afonso Henriques volte a ocupar o seu lugar, no cimo do novo Arco da Memória, na Freguesia de Vidais.

Trabalho realizado por: Sara Cristina Nazaré Serrazina, nº 23 (Grupo 2)

Fonte: Armando Macatrão, artigo publicado no Jornal da Caldas, no dia 24 de Junho de 2009 / Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Alvorninha - Monumentos e locais a visitar

Igreja de Nossa Senhora da Visitação

Igreja de planta irregular; composta pelos volumes articulados na horizontalidade das naves central e lateral, capela-mor, sacristia e torre sineira.

A cobertura em telhado diferenciado de 2 águas prolongando-se em aba corrida sobre a nave lateral e sacristia. Frontispício orientado a Oeste, de pano único em empena triangular, rematado por cruz em pedra; frontão de cornija saliente, ladeado por 2 pináculos e aberto por óculo oval; sob janela recta destaca-se o pórtico em arco abatido com decoração vegetalista e naturalista entre 2 delgados fustes capitelizados prolongando-se na parte superior por cogulhos irradiantes enquadrando a esfera armilar.

A par do frontispício a fachada prolonga-se pelo corpo reentrante da nave lateral aberta por janela e porta recta. No lado oposto ergue-se a torre sineira de secção quadrada, sendo o 2º piso aberto por um campanário em cada uma das faces, encimado por coruchéu de ângulos quebrados, aberto numa das faces por relógio.

A fachada Sul, possui o corpo saliente da nave lateral rasgado por 4 janelas rectas gradeadas, corpo da capela-mor (mais baixo) aberto por pequena janela gradeada.

A fachada Este é cega, com empena ângular sobrepujada por uma cruz em pedra.

A fachada Norte, possui o corpo da sacristia em empena recta, aberto por porta e janela gradeada; corpo reentrante da nave central, cego, em empena recta; demarcação da torre sineira aberta no 1º piso por janela gradeada que ilumina o baptistério.

No interior a igreja possui o coro-alto de balaustrada assente em 2 colunas com pias de água-benta nos fustes delimitando o guarda-vento; nave central pavimentada a tijoleira e com cobertura em tecto de madeira disposto em 3 planos; 4 altares laterais (Evangelho), sendo os 2 centrais revestidos a talha dourada, correspondem no lado oposto aos arcos que acedem à nave lateral com escada de 2 lances para o coro-alto.

O arco triunfal é de volta perfeita e abre para capela-mor, onde se destaca porta de verga golpeada para a sacristia; altar-mor em talha dourada, com colunas salomónicas sustentadas por atlantes, figura que se repete na base do retábulo. Iluminação feita através de janela e óculo do frontispício, janelas do lado S. (nave lateral e capela-mor) e janela do baptistério. Pia baptismal relevada no bojo com escudo régio, encimada por um chapéu de prelado.




Na escadaria de acesso ao patamar da igreja, pode observar-se um bonito painel de ajulejos que representa a visita de D. Afonso Henriques a Alvorninha após a reconquista das terras de Santarém aos mouros.



Igreja Senhor da Misericórdia


A Igreja da Misericórdia de Alvorninha, foi fundada em 1605, com um hospital anexo e foi desde logo consagrada ao Divino Espirito Santo. Templo pitoresco com alpendre e galilé, sob um adro alto em cima de uma escadaria.


Fonte: Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.


Capela de São Francisco


É uma capela de planta rectangular, simples, com massas dispostas na horizontalidade, com cobertura em telhado indiferênciado de 2 águas e de 3 águas sobre o alpendre.

O seu frontispício está orientado a Sudoeste, aberto por um portal recto ladeado por janelas, com embasamento escalonado sobrepujado por frontão triangular rematado por cruz trevada. Cornija interrompida com óculo, cuja altura se eleva em galilé de vão único delimitado por muro e 2 colunas assentes num parapeito interrompido para acesso ao templo.

A fachada Sudeste, é constituida por um.pano mural da galilé. O corpo do templo em empena recta, com embasamento acompanhando o declive, aberto por uma janela.


A fachada Nordeste, tem empena triangular, cega.

A fachada Noroeste tem empena recta, sobrepujada por sineira. Possui um pano mural interrompido por 2 contrafortes e porta recta. O muro do alpendre é interrompido por 4 degraus.

No interior o espaço único, é iluminado por 2 janelas (frontispício) e possui também uma janela lateral (Epístola). O seu pavimento é em tijoleira disposto em isódomo, e a cobertura tem o tecto rebocado. O altar-mor é composto por um nicho com imagem do orago. A pia de água benta, tem uma cruz latina relevada.

Fonte: Lurdes Perdigão, in http://www.monumentos.pt/Monumentos


Outras construções importantes em Alvorninha

Existe ainda uma velha Ponte Romana, de um só arco sobre o rio que vem do Casal do Rei e várias casas em ruínas. Este concelho teve quintas, casas e famílias ilustres. Uma das quintas mais importantes foi a Quinta de S. Gonçalo, em Alvorninha.

O seu edifício era construído em dois corpos ligados em ângulo recto, com o vértice a apontar na direcção de Alvorninha. A capela era no primeiro andar da casa e a entrada da quinta tinha um potão encimado pelo brasão da Família Couto e Aguiar, seus proprietários.


Fonte: Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.



Almofala


Povoação muito antiga, a típica aldeia de Almofala (a necessitar urgentemente obras de intervenção), apresenta vestígios do período Neolitico e Romano. Dos árabes conserva o seu topónimo e do período da reconquista o que resta da passagem dos frades de Cister.

De facto, os muçulmanos comandados por Tarique, governador de Tânger, desembarcaram e invadiram a Península Ibérica em 711 (séc. VIII), permitindo a conquista de Toledo, a capital, e a ocupação do nosso país até ao séc. XIV. Em 1349, D. Afonso III expulsou os Muçulmanos do Algarve, após uma permanência de cerca de seis séculos.

Almofala possui várias casas de habitação muito antigas, onde o ano 1628 pode ser verificado numa delas e a maioria com varandas alpendradas, teve a sua origem, possivelmente, do Árabe (Al-mahala = a aldeia, arraial ou acampamento).

Numa outra versão, e segundo a tradição popular, consta que existia neste local uma árvore, um álamo, no qual eram justiciados os criminosos da terra.

Um dia, quando o carrasco se preparava para dar início a uma execução, pareceu-lhe que provinha de dentro do álamo uma voz, à qual ele respondeu: “Álamo, fala!”.

De facto, diz a lenda, a árvore falou e disse o nome do verdadeiro culpado e assim se salvou um inocente. A junção destas duas palavras deu origem ao nome de Almofala.

Esta memória continua a ser perpetuada na aldeia de geração em geração, onde existe uma rua com a denominação da Rua do Almo, onde se julga ter existido o álamo falante. 

Outros porém dizem que o nome, não passa de uma palavra árabe, que significa "arrail" ou "acampamento mourisco".

Nesta pequena povoação situava-se a maior Granja dos Coutos de Alcobaça. Esta Granja, situava-se na Quinta de Almofala,  hoje em ruínas e era possuidora de extensas e férteis terras.

Segundo reza a história, o rei D. Afonso Henrriques teria pernoitado neste lugar na véspera da tomada de Santarém aos mouros.


Capela de Almofala
 
A capela da aldeia, datada de 1786 e implantada num morro, tem uma pequena e graciosa escadaria, alpendre e colunetas, com cobertura em telhado indiferênciado  de 2 águas e de 3 águas sobre o alpendre.

A capela foi restaurada no séc. XIX e.é dedicada a Nossa Senhora das Necessidades, cuja festa se celebra no último domingo de Agosto.

Fonte: Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense / site dos Caminheiros, Fevereiro 2007



  Outras construções importantes em Almofala


A famosa Casa da Pedra Gravada, também conhecida por castelo (segundo o testemunho de um dos residentes na aldeia, o Sr. Ilídio Pina), é notável pelo seu alpendre e por possuir uma pedra a servir de cunhal, com figuração Neolítica. Este vestígio arqueológico tem sido, nos últimos anos, objecto de estudo de vários especialistas.

Devido às suas várzeas com excelentes terrenos de cultivo, é bem visível a sua importância agrícola dos terrenos à volta de Almofala, nos antigos Coutos de Alcobaça, como o testemunha a antiga Granja, conhecida por Quinta de Almofala. Este edifício possuía amplas salas decoradas, celeiros, lagar de azeite e de vinho, adega, alambiques, forno, cela de prisão e um belo fontanário onde ainda se pode ler a inscrição do ano 1763.

Fonte: site dos Caminheiros,  Fevereiro 2007


Trabalhia

O topónimo desta localidade, segundo opinião de alguns dos seus residentes, poderá significar “trabalho ou ao trabalho ia...” denominação associada ao arroteamento, desbravamento e povoamento de antigas terras pertencentes à Ordem Cisterciense de Alcobaça (religiosos conhecidos por monges brancos).

No Século XVI, em 1527, a aldeia da Trabalhia, aparece associada ao Casal de Gibraltar (o actual Casal do Chiote?), surgindo também referenciada no recenseamento de D. João III. Os seus padroeiros são Santa Maria e S. Brás, cuja festa se celebra a 2 e 3 de Fevereiro.


Capela de Nossa Senhora da Esperança - Trabalhia

Situada no lugar de Trabalhia, que recebeu foral em 1210, no reinado de D. Sancho I, concedido pelo Mosteiro de Alcobaça.

A Capela de Nossa Senhora da Esperança, ostenta um alpendre com colunas e um bom retábulo em talha dourada do séc. XVIII.

Fonte: Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.

Fotos: Dias dos Reis

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Alvorninha - sua História



Antiga vila dos Coutos de Alcobaça, Alvorninha fica localizada no concelho de Caldas da Rainha e é a sua mais antiga povoação.

Alvorninha, não tem certidão de idade, e só se sabe que nasceu há muito, muito tempo… Nasceu pequena, pouco cresceu, cedo envelheceu, e a tão velha chegou, que vem de muito longe a sua história.

Esta zona foi habitada em tempos pré-históricos, como comprovam os dólmenes existentes em Antas de Baixo.

Segundo um artigo publicado na "Gazeta das Caldas" de 26 de Abril de 1985, da autoria do Dr. João Bonifácio Serra, "a reconquista só chegou a Alvorninha por volta de 1143 isto é, 10 anos antes da fundação do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça".

Segundo reza a história, D. Afonso Henriques terá passado por ali com as suas tropas em 12 de Março desse ano, momento pintado em azulejo num painel da escadaria da Igreja Matriz da vila.

Assim, é de admitir que os árabes se tivessem aqui fixado anteriormente, e que deixassem como testemunho os nomes de povoações como, Alvorninha, Alqueidão e Almofala, como é geralmente admitido para outras povoações cujo nome começa por AL, e que teriam sido fundadas por eles ao longo do século VIII depois de terem invadido a Península Ibérica e conquistado o Império Visigótico, conservando-se aqui durante muitos anos.

Passado o período de confrontos e de lutas sangrentas, outros tempos vieram sucessivamente com a natural adaptação, depois a pacificação até à convivência.

Na cópia do foral de Óbidos que a Câmara de Alvorninha obteve na Torre do Tombo, assinada por Damião de Goes refere que, ..."Após a reconquista,  esta vila esteve ligada ao termo de Óbidos e por muitos anos a Óbidos pertenceu,  regulando-se por este foral até que uma das nossas Rainhas, como senhoria que era da vila de Óbidos, condoída da pobreza das freiras da Ordem de Cister, em Cós lhe doou esta freguesia. Como Alvorninha ficasse muito distante do Convento de Cós para a cobrança dos seus rendimentos, passou esta freguesia por troca para o Convento de Alcobaça da mesma Ordem".

No reinado de D. Sancho I, em 1210, foi-lhe concedido foral passado pelo Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Em 1329, D. Afonso IV reclama Alvorninha para a coroa, entrando em litígio com os monges de S. Bernardo. Sendo este diferendo só resolvido em 1358, quando D. Pedro I, confirma a jurisdição do Mosteiro sobre a vila. No reinado de D. Manuel I, foi reformulado o seu foral, a 1 de Outubro de 1514.

Estabilizados os limites do senhorio cisterciense, Alvorninha era, nos finais da Idade Média, uma das 14 vilas dos coutos de Alcobaça. Nela foi estabelecida pelo menos uma das famosas granjas, onde os monges organizaram uma colonização modelar de algumas das terras mais férteis.
Os frades de Alcobaça fundaram também na vila de Alvorninha, a primeira Escola Agrícola do País, exercendo durante muitos anos grande influência no desenvolvimento da agricultura e pecuária nas terras pertencentes à vila.

Fonte: Gaseta das Caldas, 26 de Abril de 1985 / Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.

Benedita - Monumentos a visitar

A Fonte da Senhora


A Fonte da Senhora, como ainda hoje é chamada, foi segundo a lenda o sitio onde a Virgem da Benedita apareceu. A sua existência vem de há muitos séculos e situa-se no “Vale da Senhora”. Segundo  Frei Agostinho, existiu uma pedra na Fonte da Senhora na qual estavam marcados os passos da Virgem.


O Cruzeiro

O Cruzeiro do Largo P. José António da Silva, que dizem ser, o mais antigo cruzeiro da freguesia, embora se desconheça a data da sua construção e o seu verdadeiro significado. A tradição diz que foi erguido no local onde inicialmente se começou o construir a capela à Virgem da Benedita, e tendo a Capela de ser construída noutro local, ficou ali o cruzeiro a comemorar os estranhos factos.

Construído em alvenaria e pedra, tem a base constituida por cinco degraus em quadrado, com um marco redondo a cada canto e por cima um soco oitavado, a partir do qual se ergue a coluna vertical, redonda e encimada por outro soco que tem a parte superior em cruz.

Nele encontramos a descrição, "Ano dos Centenários 1140/1640/1940".


Capela do Bairro da Figueira

                                         

Diz a tradição que no Bairro da Figueira, existia uma capela devotada a Santo Amaro, que foi uma das primeiras ermidas ou Casa de Oração dos Frades de S. Bernardo

Ainda segundo a tradição teria sido, esta capela, um dos primeiros espaços dos Monges de S. Bernardo, embora se desconheça a sua data de fundação. Foi sendo reconstruída e modificada ao longo dos séculos, mas ainda conserva o antigo alpendre, se bem que modernizado.

Trabalho realizado por: Sara Serrazina, nº 23 (Grupo 2).

Fonte: Albuquerque, Maria Zulmira;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.

Benedita - sua história

A Benedita começou a sua história como "povoação" com a invasão árabe e a consequente fuga dos cristãos, para as proximidades escapatórias das zonas junto ao mar e bosques densos. "No entanto a fundação propriamente dita da povoação da Benedita, remonta a cerca de 800 d.C., quando os Monges de Cister sediados em Alcobaça, por aqui se fixaram na procura de locais para desenvolver a agricultura".(in http://www.benedita.com/)

O último rei dos godos, D. Rodrigo, encontrou um refugio no Promontório do Sitio e Frei Romano no Monte de S. Bartolomeu.

No bosque enorme situado entre Leiria e Santarém, viviam algumas famílias de agricultores e ai se abrigaram alguns cristãos. Nessa zona foram aparecendo jovens medrosos dos mouros e a pouco e pouco foram-se construindo casas perto de uma capela, a Capela da Senhora Aparecida, e acabou por se formar uma aldeia que se chamava "O Lugar da Senhora", mais tarde Benedita.
Só depois da doação feita por D. Afonso Henriques, aos monges de S. Bernardo, em 1153, a região começou a ser repovoada e foi ali construída a primeira capela ou Casa de Oração dos Monges de S.Bernardo.

A elevação a paróquia, dá-se em 1532, pelo Cardeal Infante D. Afonso, Administrador do Real Mosteiro. Durante séculos a capela esteve isolada no Vale da Mata dos Loureiros. Assinalava-a o estilo ogival do átrio com 3 arcos idênticos ao do Mosteiro de Alcobaça e terá tido uma só nave com abóboda de pedra. Segundo a tradição, esta ermida esteve ligada à lenda da "Aparição da Senhora, a Benetita", o que decorreu no séc. XIII.

Em 1536, o Cardeal D. Henrique foi abade no Mosteiro de Alcobaça e eleva a Benedita à categoria de freguesia.

Com a criação da freguesia, os monges deixaram o ermitério ali existente, passando-o para a dependência da Confraria de Nossa Senhora, mais tarde substituída pela Confraria do Santíssimo Sacramento

                                                       
O topónimo da vila da Benedita, nasceu da lenda da aparição da Nossa Senhora, a Benedita, a duas crianças. Esta aparição foi  objecto de culto e veneração das gentes do povoado.

Outros, contudo dão uma explicação menos tradicional relacionando o nome com a fundação da 1ª Casa de Oração dos Monges de Cister, que pertenciam á Ordem de S. Bento, a quem chamavam de "Santos Benedictus". Dai a terra “Benedita”.

Depois, alterou-se a designação de Nossa Senhora da Benedita, por Nossa Senhora da Encarnação.

Esta alteração deve-se, ao grande Gil Vicente, (o primeiro grande dramaturgo e poeta português), que um dia visitou o povoado e ficou surpreendido com a "viva encarnação" da imagem da Senhora Benedita e rapidamente divulgou o facto na corte. A partir dai a povoação passou a designar-se de “Nossa Senhora da Encarnação da Benedita”.

Trabalho realizado por:  Patrícia Serrazina, nº 20 (Grupo2).

Fonte: Marques, Maria Zulmira Albuquerque Furtado;“Por terras dos antigos coutos de Alcobaça”; 1994, Tipografia Alcobacense.